quarta-feira, 25 de agosto de 2010

A Epidemia (2010)




   A Epidemia é o remake do clássico filme de zumbi “O Exército do Extermínio”, do mestre do genêro, George A. Romero. Quando pensamos em remakes de filmes de zumbi, a primeira palavra que vem a cabeça é “Bomba”, “Filme Ruim” etc. Porém, A Epidemia se sai muito bem, pois antes de ser um filme de zumbi (entre aspas, pois as pessoas não são mortos-vivos e sim contaminadas por um vírus que as torna violentas, uma espécie de super raiva), esse é um bom filme de terror e suspense, com cenas extremamente bem montadas e filmadas, que têm uma atmosfera interessante e que não é vista todo dia em Hollywood.

   O filme conta a história do xerife da cidade de Ogden Marsh, uma pequena comunidade agrícola no interior do estado do Iowa. De repente, as pessoas dessa comunidade começam a ficar “loucas” e violentas, sem motivo aparente. É aí que o exército dos EUA entra em cena para conter essa epidemia que está transformando as pessoas, separando as pessoas “contaminadas” das pessoas saudáveis.

   Romero foi um cara que fazia filmes que, antes de serem sobre zumbis, esses filmes eram críticas ao modo de vida americano, por exemplo o “Madrugada dos Mortos”, que era uma crítica ao consumismo desenfreado dos americanos. “O Exército do Extermínio” foi um filme sobre a consequência dos atos, de um modo que o que foi feito foi feito, e suas ações nunca irão embora, só que quando acontece com os seus inimigos não tem problema, mas quando acontece no seu quintal, você vê as atrocidades que estava fazendo. Nesse ponto, A Epidemia pode soar um pouco vazio, já que o filme não apresenta esse viés crítico que o original apresentava, no contexto da guerra fria. Mas esse fato não impede o filme de ser um bom filme.

   O diretor Breck Eisner, estabelece bem, logo no começo do filme a sensação de bucolismo da região onde o filme se passa. Estamos no interior dos EUA, no meio do nada. Os grandes campos de plantio dão espaço para a tragédia acontecer e assim aumentar ainda mais a tensão das cenas onde os personagens estão presos em locais fechados, como na ótima cena do Lava-rápido, que causa uma forte sensação de claustrofobia.

   Outro destaque é o roteiro bem estabelecido que cria personagens com os quais nos importamos, o que é essencial em um “survivor movie” como esse, onde temos que ficar preocupados se essas pessoas sairão vivas ou não.

   A Epidemia não vai servir muito para as pessoas que não gostam de um bom filme de terror, com cenas bem violentas, mas para os que gostam, o filme é um prato cheio. Esse é um daqueles poucos exemplos onde o remake funciona bem. Vale a pena conferir, já que é uma boa diversão.


7,5 / 10

domingo, 8 de agosto de 2010

A Origem

   


   Filme após filme, o diretor Christopher Nolan vem se consagrando um dos melhores diretores da atualidade. Ele conseguiu trazer peso e personalidade aos filmes de super herói com os seus filmes do Batman, além dos seus projetos pessoais, como Insônia e O Grande Truque, que não deixam de impressionar. O seu novo trabalho, A Origem, chega para bater de frente com o seu melhor trabalho, Batman – O Cavaleiro das Trevas, e, discutivelmente, pode até levar a melhor.

   O filme, escrito pelo próprio Nolan conta a história de Dom Cobb (Leonardo DiCaprio), uma espécie de espião que, junto com sua equipe, entra nos sonhos de seus alvos e aproveitam o estado vulnerável da mente da pessoa e roubam os segredos desse indivíduo. Após uma operação dar errado, Cobb é convidado a tentar um último golpe, mas diferente do habitual, ao invés de roubar uma ideia, ele terá de plantar uma. A história do filme se desenvolve a partir desse conceito, porém contar mais seria uma injustiça com quem ainda vai ver o filme.

   Muitos reclamaram da complexidade da trama e julgaram difícil o acompanhamento do filme, porém o que parece um bicho de sete cabeças na verdade não é tão complicado assim, porém o espectador tem que sempre manter a atenção no que está acontecendo na tela, se não acabará se perdendo feio.

   A direção precisa de Nolan está a toda em A Origem, desde a empolgante sequência inicial do filme, até o emocionante clímax, que devido às propriedades dos níveis de sonho, a montagem desse momento final chega a ser maravilhosa e extremamente bem feita. Apesar de sua longa metragem, o filme não fica cansativo, já que a todo o momento, pelo menos um pouco de ação está acontecendo. Ação muito bem filmada por sinal, já que Nolan não apela para o uso da “câmera Bourne”, onde as imagens são captadas com realismo quase documental e os cortes rápidos causam vertigem nas pessoas mais fracas, e filma tudo com fluidez e deixa o espectador entender o que está acontecendo. Outro fato que vale mencionar é a escolha do diretor pelo uso, sempre que possível, de efeitos práticos ao invés da computação gráfica. Esse detalhe, torna cenas como a do corredor do hotel ainda mais impressionantes do que vemos na tela, pois ficamos imaginando como que ele conseguiu fazer isso de verdade.

   O elenco está ótimo, encabeçado por DiCaprio, que tem mostrado um amadurecimento sem igual em Hollywood, onde emplaca boa atuação atrás de boa atuação, ainda presentes no filme estão Joseph Gordon Lewitt (de 500 dias com Ela), que vem melhorando a cada filme, Marion Cotillard (ganhadora do Oscar por Piaf) no papel da Femme Fatale , Ken Watanabe (de Cartas de Iwo Jima) com sua competência habitual, Cillian Murphy (de Batman Begins), entre outros.

   Os personagens coadjuvantes são bem desenvolvidos e trazem alguma importância à trama, porém devido a certas limitações do filme, esses personagens secundários não acabam emocionando o espectador, ao contrário de Cobb, onde todo o seu problema principal é a motivação que leva toda a história a acontecer.
Ainda no final, Nolan nos deixa com uma dúvida que vai fazer com que quase todo mundo saia da sala de cinema com uma coceira atrás da orelha e, esse segundo final da projeção, fará com que muitas pessoas voltem para assistir o filme mais uma vez e discutam sobre ele com muitas pessoas, já que A Origem consegue fazer o que um blockbuster normalmente não sabe fazer: botar o espectador para pensar.

Sim, esse é um filme inteligente!

   A Origem chegou ameaçando tirar o posto de melhor filme do ano, que estava sendo ocupado por Toy Story 3, e cumpriu sua promessa. Agora quero ver no ano que vem, negarem uma porrada de indicações ao Oscar para o filme do Christopher Nolan, como fizeram injustamente com o último filme do Batman. O filme tem uma ótima história, ótimos personagens, muito bem interpretados por todo o elenco, além de excepcionais cenas de ação. A Origem é um filme imperdível e confirma a posição de Christopher Nolan como meu diretor favorito da atualidade.

10/10

sábado, 24 de julho de 2010

Predadores (2010)


   Depois dos dois péssimos filmes da série Alien vs. Predador, a imagem do alienígena que adora caçar humanos estava desgastada e precisava de um filme digno para voltar ao seu status de filme visceral e tenso. Predadores não é um filme que vai levar a franquia direto para as grandes premiações nem nada, mas ninguém pode negar que esse projeto, capitaneado por Robert Rodriguez, injeta aquela dose de testosterona que a série estava precisando.

   Dessa vez a história é diferente, ao invés dos monstros virem caçar os humanos em nosso planeta, eles capturam alguns soldados de operações especiais de diversas nações, os piores criminosos e assassinos e um médico e levam esse grupo para um planeta que serve como uma reserva de caça, onde eles irão caçar os bem treinados humanos.

   A produção de Robert Rodriguez é um dos grandes méritos do filme. O cara, que com certeza é um grande fã do original presta aqui uma bela homenagem para o bom material criado em 87, naquela produção com o grandalhão Schwarzennegger, onde Rodriguez mantém o visual estético dos predadores e cria novos monstros muito interessantes..

   Predadores, assim como o original, demora a mostrar os monstros e vai em seu ritmo apresentando cada um dos personagens. Esse tempo de “conhecimento” é o que separa esse filme dos horrendos “Alien Vs Predador” onde os personagens eram tão insossos e nada memoráveis, que a morte deles não tinham qualquer valor à trama do filme.

   O elenco do filme vale destaque. Apresentando uma das mais incomuns contratações para um herói de ação, que aqui é encarnado por Adrien Brody (sim o cara narigudo do “O Pianista”). O elenco ainda apresenta a brasileira Alice Braga, que vem cada vez mais ganhando o seu espaço em Hollywood, Laurence Fishburne (o Morpheus de “Matrix”), Danny Trejo e Topher Grace (de “That 70’s Show”).
Dirigido por Nimrod Antal (do tenso “Temos Vagas”), Predadores apresenta boas cenas de ação, com bastante gore (para a alegria de muitos). O diretor imprime a fita um quê de filme B, que se beneficia do grande orçamento liberado para a produção, de 40 milhões de dólares.

   Essa semana já saiu a notícia de que a FOX vai fazer a continuação de Predadores, que Rodriguez já tinha avisado que esse era uma versão mais contida do que ele realmente tem em mente para a franquia. Agora é esperar para ver aonde o cara vai levar o monstro, depois desse divertido filme.


7.5/10

domingo, 27 de junho de 2010

Toy Story 3

toy_story_3_movie_poster_cast_characters_01

   Depois de 15 anos do lançamento do 1o filme da série, chega aos cinemas Toy Story 3, o mais novo filme da Pixar. Assim como o 1o filme mostrou a todos que os computadores eram capazes de criar personagens e histórias maravilhosas, esse terceiro filme surge como um ode ao poder da imaginação infantil que, se refletirmos um pouco, é o primeiro passo para, eventualmento, acabarmos tendo histórias tão magníficas quanto a desse filme.

   Assim como de Toy Story 1 para o 2 acompanhamos o crescimento de Andy, nesse terceiro filme nos deparamos com Andy ainda mais velho, já arrumando suas coisas para se mudar para a faculdade. Ele está com 17 anos e não tem mais idade para ficar brincando com seus brinquedos, estes que sentem falta de Andy. Ao ter que arrumar as suas coisas, Andy acaba doando os seus brinquedos para uma creche. Nessa nova casa, os brinquedos serão recebidos pelo urso Lotso e seus amigos. O que no ínicio parece ser o paraíso, onde todo dia, crianças brincarão com eles, acaba se tornando um pesadelo, quando os brinquedos descobrem que por baixo daquela aparência amigável e acolhedora do urso rosa, encontra-se um duro ditador, que manda os brinquedos novos para a sala das crianças pequenas, que não sabem brincar, só destruir  os brinquedos. Agora os ex-brinquedos de Andy tem que encontrar uma maneira de fugir da creche e voltar para casa, para o seu dono.

   Como todo filme da Pixar, Toy Story 3 se disfarça de um filme para crianças, porém o seu grande apelo é para o público adulto, aqueles que já não são mais crianças e possuem apenas boas lembranças dos tempos onde brincavam com seus brinquedos. Os momentos onde o filme toca no ponto do apreço de Andy por seus brinquedos são realmente tocantes e devem fazer até os mais “machões” soltarem algumas lágrimas.
Esse terceiro capítulo é, com certeza, o mais épico da série. Suas cenas de ação são grandiosas e empolgam bastante. Sem contar que o filme, de forma surpreendente, flerta com o suspense, com algumas cenas bem “sombrias” que devem assustar algumas crianças menores, além de apresentar nostalgia e humor na medida certa. A direção de Lee Unkrich ( co-diretor de “Procurando Nemo”, em seu primeiro longa como diretor solo) é ótima, dando bom ritmo às cenas de ação e boa ambientação aos momentos de suspense. Ele mantém o filme nos trilhos e segura o ritmo da fita até o final.

   Os personagens clássicos estão quase todos lá, pelo menos os mais memoráveis, mas esse não seria um filme Pixar se os personagens apresentados não fossem tão interessantes e cativantes quanto os que nós já conhecíamos. Lotso se mostra um vilão terrível, o que é muito irônico, já que ele é um urso rosa com cheiro de morango. Outro personagem novo que rouba a cena é o Ken, que protagoniza algumas das cenas mais engraçadas do filme.

   O 3-D é outro ponto forte do filme. Esse artíficio é usado com consciência, como um meio de criar profundidade nos planos e aumentar a experiência do filme e não como uma patética desculpa para ficar jogando coisas na cara do público.


   Toy Story 3 é mais uma prova de que a Pixar é o melhor estúdio em atividade hoje em dia e de que esses caras ainda não aprenderam a fazer filmes ruins. Porque não é todo filme que consegue fazer um monte de pessoas, de 20/30 anos falarem, ao final da sessão: “Chegando em casa, acho que vou brincar com os meus brinquedos de novo!”.

10 / 10




PS: Como todo filme da Pixar no cinema, antes da projeção do filme, é apresentado um curta-metragem desenvolvido pelo estúdio. Dessa vez o curta se chama “Dia e Noite” é mostra como dentro da Pixar existem pessoas 100% comprometidas em inovarem e buscarem maneiras de contar histórias de modos nada ortodóxos e convencionais. Assim como Toy Story 3 é irretocável, esse curta, também, beira à perfeição.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Homem de Ferro 2

iron_man_int_teaser

 

   Parece que foi ontem que o primeiro Homem de Ferro chegou aos cinemas, mas no fim de semana passado já estava chegando aos cinemas a seqüência do filme que pegou todos de surpresa dois anos atrás.

   Homem de Ferro 2 começa imediatamente onde o primeiro parou, com Tony Stark no palanque dizendo a todos que ele é o Homem de Ferro, à partir daí somos apresentados ao novo vilão, Ivan Vanko ( Mickey Rourke, de “O Lutador”, em ótima atuação). Logo depois somos levados a 6 meses no futuro onde encontramos Tony Stark aproveitando o status que ser o Homem de Ferro trouxe para ele e, mais do que nunca, vemos Stark afogado em seu gigantesco ego. Agora, Stark sofre com a pressão dos militares para entregar a sua tecnologia, já que esses querem explorar as possibilidades criadas por ela. Stark, ainda tem de lidar com o seu concorrente Justin Hammer (Sam Rockwell) , que também quer, a qualquer custo, a sua tecnologia.

   Robert Downey Jr. É um ator magnífico. Basicamente, se não fosse por ele, Homem de Ferro não teria se tornado o que se tornou e, nessa continuação, ele continua mantendo o ótimo trabalho do primeiro, ou até melhorando, já que nesse novo filme temos muito mais momentos onde Downey representa o mimado, excêntrico e narcisista Stark. Grande parte do elenco não fica atrás também, como, por exemplo Mickey Rourke que está ótimo como o vilão Chicote Negro, Don Cheadle, que substitui à altura o ator Terrence Howard, como o melhor amigo de Stark, o coronel “Rhodey” Rhodes, além do próprio diretor, Jon Favreau, que atua no filme como o guarda-costas/motorista do Tony Stark e proporciona boas risadas quando está emc ena.

   Poucos sabem, mas o diretor Jon Favreau é um famoso ator de comédia, você pode não conhecê-lo por nome, mas, com certeza, já assistiu algum filme com ele. É por esse fato que uma das maiores surpresas do primeiro filme, e no segundo também, são que as cenas de ação são tão bem filmadas e divertem, bem diferente do que Michael Bay faz com seus filmes “Transformers” onde a “diversão” que ele tenta fazer, sufoca. É de Favreau, também, o crédito pelo lado bem humorado da franquia do ferroso, já que ele veio desse mundo cômico, então possui o “feeling” para fazer comédia.

   Mais uma vez, o roteiro foca mais nos personagens e torna a ação mais como uma conseqüência, do que um motivo para o filme e isso recompensa bastante, já que Tony Stark é um dos personagens mais “despresíveis”, se fossemos analisar a personalidade dele, mas mesmo assim, saímos do cinema amando o cara. Nesse filme vemos, também, um foco maior na relação de Stark com Rhodey, onde esse aparece mais como nos quadrinhos, como um amigo que não tem medo de se impor e não apenas um mero coadjuvante.

   É de praxe, com o lançamento de qualquer grande seqüência, os debates sobre se o segundo foi melhor do que o primeiro. Apesar de ser um assunto subjetivo, em alguns casos é indiscutível de que a seqüência foi melhor do que o primeiro. Infelizmente, Homem de Ferro 2, não é um caso unânime de superioridade em relação ao primeiro. Apesar de ser quase tão eficiente quanto o primeiro, o filme não tem o charme da surpresa que o primeiro filme teve. Não me leve a mal, se tivesse feito uma crítica para o primeiro Homem de Ferro, minha nota final do filme seria no máximo meio ponto a mais do que a nota da seqüência.

 

Homem de Ferro 2: 9 / 10

Homem de Ferro: 9.5 / 10

Obs: só para ter uma base de como achei em relação ao 1º filme, está aqui a nota para o Homem de Ferro também

segunda-feira, 29 de março de 2010

O Livro de Eli



   De vez em quando, no meio dessa mesmice que são os filmes de ação hoje em dia, surge uma pérola, um filme especial que quebra os moldes que estão sendo exaustivamente desgastados. Filmes que são empolgantes, emocionantes e, acima de tudo, são originais. O Livro de Eli, um filme dos Irmãos Hughes (diretores de Do Inferno), é um desses filmes.

   O filme conta a história de Eli ( Denzel Washington ), um andarilho que, em um ondo pós-apocalíptico, é o suposto detentor da última Bíblia existente, já que durante a guerra que devastou o mundo, todos os exemplares foram queimados (seria a Guerra Santa?). Eli caminha em direção ao oeste, como lhe instriu uma voz muitos anos atrás. Durante a sua jornada, ele irá cruzar o caminho de Carnegie ( Gary Oldman, mais uma vez ótimo como vilão ), uma espécie de xerife de um pequeno vilarejo de sobreviventes, que busca incansavelmente por uma Bíblia, pois deseja usar as Palavras de Deus para expandir o seu poder e o seu domínio sobre as poucas pessoas que sobraram vivas.

   Como uma suposta guerra nuclear aconteceu, o mundo virou uma espécie de deserto gigante e isso é muito bem retratado com a ótima escolha da pelate de cores uitlizada, que torna as imagens mais “pálidas”, aumentando a sensação de desolação.  

   Os diretores fazem ótimas escolhas ao longo do filme, além da estilização das cores, eles decidem não fazer cortes rápidos durante as cenas de lutas, coisa que vai na contramão da tendência atual e faz bem ao filme, pois ressalta o ótimo trabalho de coreografia das lutas, que são dignas dos clássicos “filmes de espadas” chineses e japoneses, com destaque para uma cena de luta, envolvendo 7 ou 8 pessoas, filmada em plano-sequência ( uma tomada única, sem cortes ).

   Outra boa escolha é não abusar do didatismo, ou seja, o filme deixa algumas questões em aberto, ou apenas nos indica através de imagens, sem utilizar de diálogos desnecessários para “levar o espectador pela mão”, por exemplo, em nenhum momento o filme nos fala que foi uma guerra nuclear, porém na cena inicial vemos Eli, dentro de uma roupa de contenção, caçando um gato. Cada um pode interpretar como quer, mas pelo menos incita o espectador a pensar um pouco sobre o que está assistindo.

   Apesar da história ter um cunho religioso, os ateus e agnósticos mais fervorosos podem ver o filme como uma palestra sobre cristianismo (obs: sou agnóstico e não me importei), o filme levanta boas questões sobre o que é justificável e o que é condenável quando todas as formas de regulamentos sociais foram jogados pela janela quando o mundo foi destruído, além de ressaltar a importância dos livros, coisa que hoje em dia está meio que sendo passada para trás, com os avanços tecnológicos e a infantilização da sociedade.

   A direção extremamente competente, aliada a ótimas cenas de ação e uma história original, que não pesa no didatismo e faz o espectador botar a cabeça para pensar um pouco fazem de  O Livro de Eli um ótimo filme de ação e, além disso, uma ótima diversão.


8.5 / 10



sexta-feira, 19 de março de 2010

The Cove

   

  
   The Cove (A Angra, em tradução literal) é um filme extremamente forte. Apresentando uma situação que muitas pessoas nunca tinham ouvido falar de, o documentário vencedor do Oscar impressiona, choca e emociona o espectador.

   O filme documenta a história de Rick O’Barry, ativista que começou a sua carreira como o treinador dos golfinhos utilizados no programa de televisão Flipper. Após a morte do golfinho, devido à uma depressão causada pela vida em cativeiro, o treinador decidiu desmascarar os abusos feitos aos cetáceos que vivem em cativeiro e, também, parte em uma missão para  derrubar as indústrias que massacram milhares desses animais por ano.

   The Cove foca no que acontece em Taiji, uma pequena cidade no Japão, onde a indústria pesqueira de golfinhos pratica atrocidades e, aproveita a alienação da população, para ganhar muito dinheiro de modo anti-ético. O filme levanta informações sobre o mercado de pesca no mundo e para onde estamos indo com esse consumo desenfreado, além de mostrar, também, os riscos do consumo de carnes contaminadas com níveis alarmantes de mercúrio, outro fato que foge do conehcimento da população.

   Com tom de thriller de espionagem, o diretor do filme monta uma equipe com a ajuda de Rick, para tentar documentar o que acontece na angra do título. Com operações dignas de dar orgulho aos oficiais de operações especiais de qualquer exército, o grupo tem que lidar com agentes das companhias pesqueiras que ficam, constatemente provocando os envolvidos no projeto, tentando criar motivo para jogá-los na cadeia.

   Essa montagem do filme, como um thriller de espionagem, funciona muito bem, principalmente nas sequências onde o grupo está tentando plantar as ferramentas para o monitoramento da angra, onde a tensão chega a ser sufocante, pois faz o espectador imaginar o que os pescadores poderiam fazer se capturassem os  “espiões”, já que fazem o impensável com os animais.

   As imagens, extremamente gráficas, causam repulsa e tristeza, porém trazem à luz um abuso que é despercebido pelo mundo e liberado legalmente, já que as regulações internacionais só dizem respeito às baleias, que sofriam o mesmo abuso algumas décadas atrás.

   Não é à toa que o documentário ganhou o Oscar esse ano. O filme é muito bem montado e o tema é muito pertinente. Apesar da tristeza que dá ao assistir as cenas mais pesadas do filme, é uma situação que todo mundo devia ter consciência. Isso é jornalismo investigativo em sua melhor forma.

OBS: Quem quiser assistir ao filme, nesse site está disponível para quem quiser ver. O site funciona com streaming (mesmo esquema do YouTube) então não precisa baixar nada.


9.5 / 10

quarta-feira, 17 de março de 2010

Ilha Do Medo




   “Ilha do Medo” marca a volta de Martin Scorsese ao gênero do suspense, o último filme do diretor  nesse estilo havia sido “Cabo Do Medo” em 1991. O filme mostra, também, que Scorsese não se aquietou depois de, finalmente, ganhar um Oscar, já que esse é um dos projetos mais corajosos da carreira do diretor.

    O filme, adaptado do ótimo livro de Dennis Lehane (autor de Sobre Meninos e Lobos), conta a história do agente federal Teddy Daniels (Leonardo DiCaprio, em uma ótima atuação) e de seu parceiro Chuck Aule (Mark Ruffalo, também em atuação surpreendente), que são chamados à Shutter Island, um hospício/prisão situado em uma ilha na costa de Boston, para investigar o sumiço de uma paciente. Logo que chegam no local, os agentes percebem que há algo mais ocorrendo por ali, já que são recebidos com frieza e desconfiança por todos os funcionários do lugar.

   A direção de Scorsese é impecável como sempre e da um tom meio noir à investigação. O maior destaque vai para as sequências de sonho do protagonista, onde o diretor utiliza uma paleta de cores mais claras, que dá uma idéia de uma vívida lembrança e faz contraste com os tons acizentados utilizados pelo diretor na ilha. Nessas sequências, Scorsese abusa de câmera lenta e objetos voando na tela para criar uma sensação de leveza e tornar a imagem um tanto quanto etérea.

   Outro destaque do filme é a atuação de Leonardo DiCaprio, que faz o atormentado agente federal Teddy Daniels. Assim como a personagem de Jack Nicholson em “O Iluminado”, que se via trancafiado em uma edificação remota e, tinha que encarar fantasmas do seu passado, Teddy Daniels também tem sua cota de bagagem que leva consigo para a ilha e, ao longo da investigação, terá de lidar com essas fantasmas do passado.

   O elenco de apoio do filme também não faz feio, com Ben Kingsley como o doutor chefe da instituição, que só alimenta a chama da desconfiança do protagonista já que apresenta sempre uma visão razoável e analítica, como se tudo e todos fossem seus pacientes, e Max Von Sydow, que aparece em pequeno papel, mas não faz feio quanto está em cena, como um médico da instituição, além outros atores, não tão conhecidos pelo grande público, que fazem pequenas, mas memoráveis aparições.

   Como todas adaptações de livros pra a o cinema, Ilha Do Medo tem que modificar um pouco a trama para poder funcionar como filme, porém esse é um dos raros casos onde o roteiro faz um excelente trabalho em adaptar o livro. As únicas informações que foram retiradas do livro para o filme não fazem falta alguma à história e dão uma fluidez melhor a situação apresentada.

   Com cenas muito gráficas e um tema pesado, não é à toa que as críticas para Ilha do Medo estão saíndo tão polarizadas. O filme é um projeto muito corajoso de Martin Scorsese que mostra que o diretor não perdeu vigor depois de ganhar uma estatueta da academia.

   São filmes como esse que fazem as pessoas, pelo menos as que realmente gostam de cinema, desejar que os filmes de terror e suspense fossem todos dirigidos por diretores de alto escalão.


8.75 / 10

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

9 -- A Salvação

   


   Existem muitos casos de uma idéia genial que não atinge o seu verdadeiro potencial devido à uma pobre execução, o filme “9 – A salvação”, infelizmente, é mais um desses casos.

   O filme é um longa metragem de animação computadorizada criada pelo iniciante Shane Acker. O filme é produzido por ninguém mais do que Tim Burton (Edward Mãos de Tesoura, A Fantástica Fábrica de Chocolates)  e, para os que conhecem, também é produzido pelo russo Timur Bekmambetov (O Procurado), outro diretor que tem um estilo próprio bem característico.

   Apesar do conceito do filme ter sido criado pelo próprio diretor (Acker), o filme pode muito bem ser vendido como uma criação de Burton e, com certeza, as pessoas mais desavidadas nem saberiam dizer que não é, devido ao tom sombrio e a aparência “gótica” do filme, características que já se tornaram marcas registradas de Tim Burton.

   “9” conta a história de um mundo pós-apocalíptico onde os humanos foram dizimados após uma guerra contra as máquinas, que agora dominam o mundo, e os únicos sobreviventes são 9 bonecos de pano criados por um cientista antes de sua morte. Agora esses bonecos precisam lutar para acabar com essa ameaça que são as máquinas.

   O ponto forte do filme são os visuais, onde Acker idealizou um incrível mundo desolado pela guerra contra as máquinas que, por algumas dicas visuais, parece ter acontecido durante o período da guerra fria, o que da um ar daqueles filmes “trash” de ficção científica. Como os bonecos são pequenos, o diretor sempre coloca em cena objetos cotidianos para criar um senso de escala e ficar claro como os pequenos bonecos são, quase, indefesos contra as máquinas.

   O filme peca um pouco em seu roteiro, que parece um pouco “corrido” em momentos e dá a impressão de que o fio de narrativa só está lá para ligar uma cena de ação à outra, deixando muito a desejar no que poderia ser uma narrativa interessante, como foi a do curta-metragem “9”, que foi o trabalho de conclusão de curso do diretor na sua faculdade e que, mais tarde, impressionou os grandes nomes, que produziram o filme, e fizeram com que esses diretores renomados dessem o sinal verde para Acker transformar o seu pequeno trabalho em um longa.

   Apesar dos brilhantes 15 primeiros minutos onde não existe nenhum diálogo, “9 – A salvação” é um filme divertido que não alça o voo que poderia, já que nunca atinge o seu potencial. Com boas cenas de ação e um desfecho interessante o filme não passa de uma boa diversão.


6.5 / 10


OBS: "9 -- A Salvação" já está nas locadoras.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Vício Frenético

   


    Vício Frenético é o novo filme do cultuado diretor alemão Werner Herzog, diretor que é famoso por retratar homens obsessivos, em situações nas quais o ambiente acaba moldando o seu comportamento, para o bom ou para o pior, nesse caso o ambiente é a New Orleans pós-Katrina e a obsessão, o vício do tenente por drogas.

    O filme conta a história do tenente Terence McDonagh( interpretado por Nicolas Cage em uma ótima atuação), um policial que foi promovido ao posto de tenente após salvar um prisioneiro que iria morrer afogado durante o furacão Katrina, só que ao pular na água para salvar o tal prisioneiro, ele sofre um acidente que o deixará com dores nas costas para o resto de sua vida, o que fará com que o tenente desenvolva um vício por analgésicos e, depois, por todo e qualquer tipo de droga (segundo ele só toma o que é prescrito, exceto pela heroína). Durante o filme acompanhamos o tenente enquanto esse investiga um assassinato de uma família de imigrantes ilegais senegaleses, e ao mesmo tempo viajamos com o protagonista até o fundo do poço.

    Ao retratar esse espiral descendente do tenente, o diretor dá ao filme um tom quase cômico à desgraça da personagem, isso tudo pois em nenhum momento acreditamos que o problema enfrentado pelo tenente é gratuito, entendemos a situação que ele enfrenta e até simpatizamos com a personagem, pois como vemos no filme, ele não é uma má pessoa. Debaixo do oficial de policia viciado em drogas, está um ser humano que se preocupa com o seu pai alcoólatra e com a sua namorada prostituta. Esse desiquilibrio mental e emocional é extremamente bem retratado na, ótima, atuação de Nicolas Cage, mostrando que, apesar dos últimos filmes que vinha fazendo, ele ainda sabe atuar. O elenco ainda conta com outras celebridades que fazem papéis um pouco menores, como Val Kilmer como um companheiro policial de McDonagh e a presença de Eva Mendes, como a prostituta namorada do protagonista.

    Werner Herzog é um cara que sabe o que faz. O alemão abusa da câmera na mão e de sequências longas sem cortes para dar uma fluidez melhor à fita e, também, trazer à tona as habilidades dos atores, pois com menos cortes, os atores tem que trabalhar melhor durante cenas mais longas. Outro destaque para a direção são os enquadramentos utilizados pelo diretor, tanto nas cenas em que retrata o pico da viagem do tenente ao utilizar as suas drogas, onde ele utiliza de closes em iguanas e outras coisas para causar estranheza, quanto ao longo da fita, onde os enquadramentos nunca perdem a personagem principal de vista, nem que essa apareça no reflexo de um espelho no canto da tela.

    Apesar de o meio do filme perder um pouco de ritmo, Herzog se redime com um final que tem que ser visto como irônico aos padrões hollywoodianos, e se assim interpretado, o desefecho se torna ratificante. O final pode deixar alguns um pouco frustrados, mas se analisado com um pouco de profundidade, pode-se encontrar traços de genialidade do roteiro.

    Somente a ótima atuação de Cage ja valeria o ingresso para ver o filme, mas a espetacular direção de Herzog também vale destaque. No fundo, Vício Frenético não deixa de ser um filme de genêro policial; Mas faz um ótimo trabalho sendo um.


8 / 10

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

My Dinosaur Life


    


    Mark Hoppus e o Motion City Soundtrack dão uma de Coppola e mostram que, assim como O Pderoso Chefão pt. II foi melhor que o primeiro filme de trilogia, uma sequência pode ser melhor que o original.

     Um pouco menos de 3 anos após o lançamento de seu último álbum, Even If It Kills Me, o Motion City Soundtrack volta com o seu novo trabalho e o 1º lançamento em uma major label dos EUA, a Columbia. Esse novo trabalho, entitulado My Dinosaur Life, é o 2º disco da banda a ser produzido por Mark Hoppus, o baixista do blink-182.

    Quase sempre categorizada como uma banda de pop punk, o MCS em cada trabalho ficava tendendo para um lado do espectro mais do que do outro, por exemplo, o 1º disco I am The Movie tinha uma pegada bem punkzinha e o último trabalho deles, Even If It Kills Me era bem mais pop açucarado. Apesar de ser um lançamento de uma major, o Motion City Soundtrack levou o seu som de volta ao lado punk do espectro com esse novo trabalho, o que surpreendeu muita gente, pois todos imaginávamos que devido à influência da gravadora, a banda seguiria a linha do último trabalho, fazendo um som mais pop direcionado às massas.

     A cada trabalho da banda era visivel o progresso na qualidade das letras do MCS, não que elas ja foram ruins algum dia, mas é que ultimamente o vocalista e letrista Justin Pierre vinha aperfeiçoando a sua caneta e apresentando letras sensacionais, cheias de menções à cultura pop-nerd e muito inteligentes. Nesse trabalho o cara continua progredindo escrevendo letras incríveis, destaque para o refrão da música “Pulp Fiction” que é o perfeito exemplo das tiradas inteligentes do Justin:

Black and white and cheaply put together like a slasher film
Torn in opposite directions
The plot sucks but the killings are gorgeous
God damn, these killings are gorgeous
 

     Em relação ao instrumental da banda, podemos dizer que é uma progressão em relação ao último trabalho, já que como a banda voltou para a pegada mais punk estão presentes guitarras com mais peso e as músicas são mais velozes. Apesar do baterista ter tido problemas logo antes da gravação do disco, ele quebrou o braço e ficou um tempo parado, ele se saiu muito bem no álbum e continua mostrando suas habilidades em levadas criativas para as músicas.

     O álbum tem várias músicas que irão se tornar clássicas do MCS, o 1º single “Dissapear” que mostrou a volta da banda à pegada agressiva, a divertida ”@!#?@!” com sua ótima referência ao Ocarina Of Time e tema absurdo, além da já citada “Pulp Fiction” que apresenta uma das melhores letras que o vocalista ja escreveu. Vale ainda citar outros destaques do disco, como: “Stand Too Close”, “Skin and Bones” e a última faixa do disco “The Weakends”, que resume o trabalho apresentado, mesclando agressividade com melodias suaves e mais um exemplo de ótimas letras.

     Das 12 faixas do cd só teve uma que não me chamou a atenção e eu até costumo pular ela quando ouvindo o cd (“History Lesson”), porém essa música é a única coisa que consigo pensar que não me agradou no álbum.

      My Dinosaur Life é o que uma sequência deve ser, uma expansão das características que deram certo na 1ª vez e nesse quesito o Motion City fez um ótimo trabalho, achando um meio termo entre o som do Even If It Kills Me e o som da era Commit This To Memory/I Am The Movie. Com letras memoráveis e músicas  clássicas no estilo MCS, esse trabalho, com certeza está entre os melhores da banda.

9.5 / 10

domingo, 27 de dezembro de 2009

Listas de Fim de Ano!!!!!!!

Chega o fim do ano, chega a hora de todas as listas de melhores e piores do ano....então resolvi postar a minha opinião em relação à música em 2009.


•MELHOR ÁLBUM DE 2009

1. Thrice - Beggars




2. As Cities Burn - Hell Or High Water




3. Manchester Orchestra - Mean Everything To Nothing




4. RX Bandits - Mandala




5. Brand New - Daisy




6. The Dangerous Summer - Reach For The Sun




7. Silversun Pickups - Swoon




8. Relient K - Forget And Not Slow Down




9. Alexisonfire - Old Crows/Young Cardinals




10. MuteMATH - Armistice




11. Say Anything - Say Anything
12. Mew - No More Stories...
13. Florence + The Machine - Lungs
14. Emery - ...In Shallow Seas We Sail
15. Paramore - Brand New Eyes

OBS: esse top 10 (com a exceção do Beggars) pode variar o tempo todo dependendo do meu humor, então não é definitivo.

• SINGLE FAVORITO


• Motion City Soundtrack - "Her Words Destroyed My Planet"




• MELHOR LETRISTA

• Dustin Kensrue - Thrice

• MAIOR NOTÍCIA DO ANO

• A volta do blink-182 e a morte do Michael Jackson


• ELES LANÇARAM UM CD?!?!
(Álbuns tão inexpressivos que nem parece que foram lançados)

• Taking Back Sunday - New Again



• The Used - Artwork






• EXPECTATIVAS PARA 2010

1. Motion City Soundtrack
2. Story Of The Year
3. blink-182



2009 foi um ano sensacional para a música. Muitos cd's incrivelmente bons, tantos em um só ano que a lista dos 15 melhores fez injustiça a muitos álbuns maravilhosos que não couberam na seleção. Se 2010 for pelo menos metade do que foi esse ano, o ano que vem será sensacional.

domingo, 20 de dezembro de 2009

Avatar





                Depois de muito tempo de espera, muita hype criada e muita dúvida de quase todos, Avatar chegou aos cinemas. Com um orçamento exorbitante, na faixa dos 300 milhões de dólares, o filme que James Cameron (diretor de Exterminador do Futuro e Titanic) ficou mais de 10 anos preparando é, sim, uma obra magnificia, que proporciona uma experiência imerssiva no cinema nunca vista antes. Claro que para a experiência ser completa, você tem que assistir o filme como o criador o idealizou, em IMAX 3D.

           James Cameron é um cara que gosta de inovar, quebrar barreiras e revolucionar. Desde os 80 e o começo dos anos 90 com os seus filmes da série Exterminador do Futuro ele veio se consagrando como um grande diretor de filmes de aventura e ficção científica, além de desenvolver efeitos especiais que nunca haviam sido vistos antes, abrindo novos horizontes para milhões de novas possibilidades relacionadas a efeitos especiais. Para Avatar o cara passou uma boa parte dos últimos 10 anos desenvolvendo a tecnologia que seria necessária para ele contar a história que, segundo o Cameron, era o projeto da vida dele.

            Acompanhando os trailers e propagandas eu estava muito duvidoso em relação a esse projeto, já que todas as cenas que havia visto não tinham me impressionado em nada e os personagens me pareciam iguais aos de qualquer outro filme que tinha algun personagem gerado por computador. No cinema, é completamente outra história. Ao assistir o filme na tela gigantesca do IMAX, a primeira coisa que me chamou a atenção foi a noção de profundidade que o diretor conseguiu com essas sua nova tecnologia, logo na 1ª cena do filme, o enquadramento parece ter uns 100 metros de profundidade na tela! É realmente incrível. Outra coisa que chama muito a atenção é o nível de detalhamento dos personagens. Em cenas de close, é possível ver os poros na pele dos Na'Vi!!! É de outro mundo!

           Em relação à história, Avatar segue um caminho já trilhado e conta uma história já consagrada, o filme é basicamente Pocahontas no espaço, mas todo o tempo que Cameron dedicou na criação de toda a fauna e flora de seu planeta e a tecnologia 3D que te coloca no meio da história, o [planeta] se transforma em um personagem do filme e faz você se relacionar mais ainda com o sofrimento dos nativos. Vale destacar que como o James Cameron é um bom diretor e sabe como contar uma história, ele cria personagens que acabam tocando o público e fazem essas pessoas se preocuparem com esses personagens, o que não é nada comun nos famigerados blockbusters (o melhor exemplo de personagens que não dizem nada a ninguém é em Transformers 2, onde os robôs iam morrendo e ninguém sentia pena deles).

          No final da sessão, quase não acreditei do tanto que eu gostei do filme. Depois de chegar sem expectativas de ver um filmão, James Cameron me surpreendeu com um. Agora quero assistir pelo menos mais uma vez o filme nos cinemas 3D, pois quando sair no DVD o filme não terá metade da graça. Apesar da história “batida” do filme, Cameron realmente criou um novo modo de ver e fazer cinema, criando uma experiência de imerssão nunca vista antes. Acreditem em todas as especulações, Avatar realmente é um divisor de águas e com certeza se tornará um clássico de ficção científica.



9 / 10

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

John Mayer - Battle Studies





John Mayer tem uma boa bagagem para carregar. O cara já ganhou 4 grammy’s (ele tem apenas 32 anos) e o último disco dele é considerado pelos fãs e alguns críticos como um dos melhores discos de Pop/Blues/R&B das últimas décadas. O cara também é considerado um dos melhores guitarristas da atualidade e já tocou com übercelebridades do blues e jazz como B.B. King, Herbie Hancock, entre outros.

Foram três anos Agora que estamos com o novo álbum em mãos é seguro dizer que Mayer continua entregando ótimas músicas. Como “Continuum”, o seu trabalho anterior, foi, em minha opinião, o disco que ele nasceu para escrever, a obra-prima dele. Podemos dizer que “Battle Studies” é mais um bom álbum de Mayer, porém não é nenhum “Continuum

Não dá para não perceber o ar mais relaxadão de “Battle Studies” em comparação com o último disco do cara. Toda a progressão que ele teve, para um lado mais blues do que o tradicional pop não foi levada adiante nesse disco. A grande maioria das músicas são bem pop e lembram alguns dos momentos mais lentos do trabalho anterior (ex: “Slow Dancing in A Burning Room” ), já que possuem arranjos bem simples e remetem aos velhos tempos de Mayer. Grande exemplo disso é o single “Who Says”, que é basicamente só John Mayer e seu violão, relembrando bastante músicas como a queridinha das garotas “Your Body Is A Wonderland”. É claro que o cd tem os seus momentos blues, onde o cara mostra porque ele é considerado um dos melhores guitarristas da atualidade, com seus solos precisos e ótimas melodias, vale mencionar o ótimo arranjo, com muitas camadas de som de “Assassin”, que acaba se destacando como a melhor faixa do cd na minha opinião.

As letras estão, como é de costume, continuam excelentes. Boatos dizem que o nome do disco seria “John Mayer’s Eleven Reflections On The Theme Of Love, Performed In The Key Of Starry Eye'd Hunkness” e é bem isso que vemos, já que, praticamente, todas as músicas versam sobre o amor e suas alegrias e desilusões, assunto recente para Mayer, já que ele acabou de terminar o seu, bem público, relacionamento com a atriz Jennifer Anniston.

Com John Mayer não tem como errar mesmo, o cara é muito bom, mas apesar de ser um passo para trás em relação a progressão, Battle Studies funciona muito bem como um bom disco de pop e eu recomendo para todo mundo que quer curtir um cd de boa


8.5 / 10

30 Seconds To Mars - This Is War




Jared Leto volta com o trabalho mais ambicioso de sua carreira, aliado de muita ambientação e do Summit, o seu coral de mais de 1000 fãs (mais prentensioso imossível).



                Já se passaram quatro anos desde que foi lançado o último álbum do 30 Seconds To Mars, “A Beautiful Lie”. Foi Esse disco lançou os caras para o grande público do mundo todo e até trouxe os caras para uma série de shows aqui no Brasil. Apesar de muito ódio recebido, a banda é um eficiente grupo de space rock/alternativo, no melhor estilo Angels & Airwaves, onde mesclam uma pegada forte Pop com alguns experimentalismos.

                This Is War” só pode ser lançado depois de muito trabalho por parte dos caras da banda, já que o próprio Jared Leto teve que arcar com uma multa de milhões de dólares, pois eles decidiram quebrar o contrato com a gravadora para fazer o disco que a banda queria e não o que os executivos queriam. Após poucas escutadas já da para perceber o porque que a gravadora estava relutante em lançar o CD. Esse é, muito provavelmente, o álbum mais épico e grandioso do ano de 2009.

                Desde o seu primeiro álbum, Jared Leto tenta, sempre, fazer um som que é quase sobre-humano...um verdadeiro complexo de pau-grandismo que, na maioria das vezes, faz com que as músicas fiquem enfadonhas, já que fica impossível relacionar-se com o que o cara está te entregando.

                O que vem de diferente em “This Is War”? Leto soube conciliar o que fez de bom no 1º e no 2º álbum da banda para fazer o melhor cd do 30 Seconds To Mars até hoje.

                “Escape”, a primeira faixa do cd, é uma pequena introdução para o álbum. Nessa faixa já aparece em ação o Summit, o coral de fãs que a banda formou. Apesar de terem momentos onde esse coral é muito bem utilizado, como nas faixas “Kings And Queens” e na prórpia faixa-título “This Is War”, tem momentos onde o coral acaba soando um pouco “forçado”, como na música “Call To Arms”, música que é um exemplo de como a ambição do artista pode te “sufocar” em alguns casos.

                O 1º single lançado foi a faixa “Kings And Queens” que, na minha opinião, é uma das melhores músicas ja escrita pela banda, com um refrão poderoso a música empolga e, lá para o final da faixa, quando o Summit começa a cantar, você se sente obrigado a cantar junto. Outra faixa que merece destaque é a música “Hurricane”, que tem a inusitada participação especial do rapper Kanye West. A música pega pesado na ambientação e é formada, basicamente, por um riff de piano e uns elementos eletrônicos como pano de fundo, o experimentalismo dessa música pode lembrar um pouco o 1º cd da banda, onde as músicas eram mais compridas e tinha um quê de progressivo, devido a algumas estruturas pouco ortodoxas.

                No fim das contas, esse é o melhor cd do 30 Seconds To Mars e, acho, que isso vai se tornar uma unanimidade, pois apresenta a banda em seu auge em relação à composição de boas músicas. Apesar de alguns momentos onde o complexo de pau-grandismo de Jared Leto pode intimidar o ouvinte o saldo acaba sendo positivo, tendo em vista que esse é um bom álbum.


7 / 10

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

(500) Dias Com Ela






                (500) Dias Com Ela” é mais uma comédia romântica a chegar aos cinemas, o mais interessante é que, esse filme não é só mais um, ele realmente tem conteúdo. Os motivos que tornam esse filme especial quando comparado a todos os outros filmes desse estilo que chegam aos cinemas todas as semanas são: 1) Uma honestidade incomparável na visão do “amor” e 2) Uma direção interessante e extremamente criativa do egresso de videos músicais e estreante em longas, Marc Webb.

                O filme conta a história de Tom (Joseph Gordon-Levitt de “10 Coisas que Eu Odeio em Você”) e Summer (Zooey Deschanel de “Sim Senhor”) e dos 500 dias de seu relacionamento, daí o título. Tom é um garoto que trabalha escrevendo cartões comemorativos e tudo que deseja é conhecer a mulher de sua vida, já que ele acredita veemente no amor. Summer gosta de aproveitar a vida sem compromissos e rótulos, portanto, não acredita no amor. Quando os dois se conhecem no escritório Tom se apaixona a 1ª vista e, a partir daí, nascerá o relacionamento que irá ser contado nos 500 dias do título.

                Todos os relacionamentos são feitos de altos e baixos, momentos bons e ruims e esse filme entende isso, então não tenta mistificar o relacionamento como os filmes românticos normalmente fazem, naquela fórmula de “tudo vai bem, até o momento que algo acontece, o garoto precisa correr até a sua mulher e soltar uma frase de feito para reconquistar a garota e ficar tudo bem”. As personagens principais são muito humanas nesse sentido, já que eles têm os seus dias bons e ruims, suas brigas sérias e bobas e tudo mais, como num relacionamento de verdade.

                A direção de Marc Webb é muito interessante no seu modo de contar a história, já que não a conta linearmente, o diretor pega dias aleatórios e segue uma sequência ilógica, mostrando momentos-chave da relação de Tom e Summer. Como Webb já possui uma grande experiência em contar pequenas histórias em seus videoclipes, seu catálogo passa dos 100 vídeos, ele utiliza essa abordagem para trazer um pouco de inovação, contando pequenas histórias nos dias que vai nos mostrando. Esse esquema de falta de lienaridade torna a experiência de assistir o filme muito mais imerssiva, pois a falta de sequência lógica tira a sua referência de onde você está na história e o que falta acontecer, então você deixa de lado tudo isso e só aproveita a história que está sendo contada.

                São todos esses aspectos que tornam “(500) Dias Com Ela” uma experiência extremamente gratificante. A maneira peculiar de contar a história, a sensibildade romântica com a qual é muito fácil de se relacionar e a boa escolha dos atores principais, esse é um filme   deliciosamente imperdível.

9.5/10

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Review: Say Anything - Say Anything




Max Bemis está apaixonado e muito mais feliz!
Essa frase pode muito bem definir o sentimento onipresente do novo disco do Say Anything.

                Desde 2007 que não ouviamos do Say Anything. Foi nesse ano que eles lançaram o incrivelmente longo épico “In Defense Of The Genre”. Piadinhas à parte, aquele álbum foi muito bom, apesar de ter algumas músicas que estavam lá só para encher os dois discos que o formavam. Algumas músicas eram realmente excelentes ( “Baby Girl, I’m A Blur”, “Shiksa ( Girlfriend”, “The Church Channel”, entre outras...). Quando Bemis fez a declaração que eles iriam fazer mais amor (elegância é o que pega) com menos músicas para fazer o álbum sair inteiro excelente, eu fiquei empolgado. IDOTG foi sensacional, mas eles acharam que não era bom o suficiente?? E queriam fazer um álbum melhor?? Não pude não pensar:


Isso vai ser muito bom...


                Agora acabamos de entrar em novembro e, finalmente, o resultado chegou. E qual o veredito? – Só posso dizer que o cd alcançou todas as minhas expectativas e tem o potencial de, após mais algumas escutadas, se tornar o meu preferido dos caras.
                Ao contrário do IDOTG que parecia que estava em todos os lugares ao mesmo tempo, esse cd novo, auto-entitulado Say Anything, é muito mais coeso, em um sentido no qual as músicas criam um sentimento de continuidade e o álbum parece mais como uma unidade e não como uma coletânea, que acontecia com o antecessor. Esse novo som dos caras está com uma pegada mais pop e upbeat, isso se deve ao fato de que o Sr. Bemis se casou e está muito bem como todo o seu problema de bipolaridade, porém não faltam as músicas mais “porradinhas”, coisa que muitos fãs ficarão felizes em saber.

                No quesito musicalidade a banda melhorou bastante. Toda a parte instrumental lembra bem alguns dos melhores momentos do álbum anterior e nesse novo trabalho até aparecem uns solos de vez em quando, coisa que quase nunca apareceu nas musicas do SA.

O ponto forte do Say Anything sempre foram as letras de Bemis, que sempre tiveram sacadas sensacionais e sempre foram muito melhor do que as coisas que se encontram por aí em outras bandas de pop-punk. Nesse novo álbum Bemis continua forte com suas referências à cultura pop e todas as suas sacadas “espertinhas” estão la e quando você percebe-las irá rir e pensar: “esse cara é um gênio”. As referências vão do Kings Of Leon ao seriado Will & Grace...sim, Max é um letrista incrível.

                Não tem como discutir, essa é uma das melhores bandas dos atualidade. Eles são bons compositores, tem umas sacadas sensacionais em suas letras, seus refrões são aqueles que são para serem cantados em alto e bom som com seus amigos (de preferencia, bebados!). Say Anything é sensacional e eles se mantém desse mesmo jeito com mais esse lançamento.
                Ouvi gente dizendo que eles se venderam. Mas se pararmos para pensar, eles já se venderam faz tempo e não é preciso muita reflexão para perceber que eles são os melhores “sell outs” do mundo!

Ahhh....2009....what a great year for music.

9 / 10

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Bastardos Inglórios





Acho que essa deve ser a minha obra-prima”
                                             Tenente Aldo Raine


        
            Essa frase, que no filme Bastardos Inglórios é dita por Brad Pitt, pode muito bem ser interpretada como palavras do próprio Sr. Tarantino, impressionado com o resultado de sua mais recente obra.


            Até então não gostava de Quentin Tarantino. Os poucos filmes que tinha assistido não haviam me interessado e, em um caso, nem consegui assistir o filme inteiro. (Para deixar bem claro...eu nunca assisti Pulp Fiction). Porém, todos os trailers dos Bastardos me fizeram querer dar mais uma chance para o cultuado diretor.


            Bastardos Inglórios pode ser classificado como uma comédia de guerra, mas o filme é muito mais do que isso.


            O filme conta duas histórias em paralelo, uma é a dos Bastardos própriamente ditos, eles que são um bando de soldados judeus americanos que aterrorizam as tropas alemãs por sua crueldade no campo de batalha. A outra história é a de Soshana, uma judia que teve a sua família exterminada pelos nazistas e anseia por vingança.


            Como todos sabem, com Quentin Tarantino as coisas nunca são “normais” e esse filme não foge da regra. O diretor toma algumas “liberdades narrativas” sobre a história da guerra, que duvido as pessoas não saírem da sala de cinema com um sorriso de orelha a orelha. Em outras palavras, a história do filme é muito boa. Os diálogos são um ponto forte que, apoiado por ótimas interpretações, dão muito o que pensar.


            Ouvi falar muito sobre a violência presente no filme, mas ao assistir, tenho que dizer que isso tudo foi supervalorizado. Bastardos Inglórios não é muito mais violento do que alguns filmes sobre a 2ª Guerra Mundial e ao contrário desses outros filmes, que retratavam a guerra com um tom realista e deixava-nos chocados com as atrocidades, nesse filme a violência é “divertida” e bem banalizada como só o Tarantino sabe fazer.


            Apesar de seu longo tempo de duração (2h40min) o filme não pesa sobre o espectador, que sai do cinema ofegante após o grandioso climax do filme.
            Assim como quase todas as obras de Quentin Tarantino esse filme também é um ode ao cinema e todo o amor que o diretor sente pelo mesmo está presente no filme, cheio de referências ao cinema clássico, sem contar que uma boa parte da trama gira em torno de um cinema situado na Paris ocupada por nazistas.


            A ótima direção de Tarantino, as ótimas interpretações ( destaque para o coronel da SS vivido pelo, até então, desconhecido dos holofotes hollywoodianos, Christoph Waltz que rouba a cena de um Brad Pitt que tenta roubar a cena), diálogos inteligentes ( destaque para a sequência inicial, que apresenta um dos interrogatórios mais tensos da história do cinema, tudo isso graças a diálogos brilhantemente escritos por Tarantino)  e muita ação se juntam para fazer o que pode muito bem ser o melhor filme do ano até agora.


É nesse momento que deixo o meu ódio preconceituoso que tenho pelo Tarantino e só posso dizer  “Parabéns!”. Isso sim que é um filmão.




9.5/10