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quarta-feira, 25 de agosto de 2010

A Epidemia (2010)




   A Epidemia é o remake do clássico filme de zumbi “O Exército do Extermínio”, do mestre do genêro, George A. Romero. Quando pensamos em remakes de filmes de zumbi, a primeira palavra que vem a cabeça é “Bomba”, “Filme Ruim” etc. Porém, A Epidemia se sai muito bem, pois antes de ser um filme de zumbi (entre aspas, pois as pessoas não são mortos-vivos e sim contaminadas por um vírus que as torna violentas, uma espécie de super raiva), esse é um bom filme de terror e suspense, com cenas extremamente bem montadas e filmadas, que têm uma atmosfera interessante e que não é vista todo dia em Hollywood.

   O filme conta a história do xerife da cidade de Ogden Marsh, uma pequena comunidade agrícola no interior do estado do Iowa. De repente, as pessoas dessa comunidade começam a ficar “loucas” e violentas, sem motivo aparente. É aí que o exército dos EUA entra em cena para conter essa epidemia que está transformando as pessoas, separando as pessoas “contaminadas” das pessoas saudáveis.

   Romero foi um cara que fazia filmes que, antes de serem sobre zumbis, esses filmes eram críticas ao modo de vida americano, por exemplo o “Madrugada dos Mortos”, que era uma crítica ao consumismo desenfreado dos americanos. “O Exército do Extermínio” foi um filme sobre a consequência dos atos, de um modo que o que foi feito foi feito, e suas ações nunca irão embora, só que quando acontece com os seus inimigos não tem problema, mas quando acontece no seu quintal, você vê as atrocidades que estava fazendo. Nesse ponto, A Epidemia pode soar um pouco vazio, já que o filme não apresenta esse viés crítico que o original apresentava, no contexto da guerra fria. Mas esse fato não impede o filme de ser um bom filme.

   O diretor Breck Eisner, estabelece bem, logo no começo do filme a sensação de bucolismo da região onde o filme se passa. Estamos no interior dos EUA, no meio do nada. Os grandes campos de plantio dão espaço para a tragédia acontecer e assim aumentar ainda mais a tensão das cenas onde os personagens estão presos em locais fechados, como na ótima cena do Lava-rápido, que causa uma forte sensação de claustrofobia.

   Outro destaque é o roteiro bem estabelecido que cria personagens com os quais nos importamos, o que é essencial em um “survivor movie” como esse, onde temos que ficar preocupados se essas pessoas sairão vivas ou não.

   A Epidemia não vai servir muito para as pessoas que não gostam de um bom filme de terror, com cenas bem violentas, mas para os que gostam, o filme é um prato cheio. Esse é um daqueles poucos exemplos onde o remake funciona bem. Vale a pena conferir, já que é uma boa diversão.


7,5 / 10

domingo, 8 de agosto de 2010

A Origem

   


   Filme após filme, o diretor Christopher Nolan vem se consagrando um dos melhores diretores da atualidade. Ele conseguiu trazer peso e personalidade aos filmes de super herói com os seus filmes do Batman, além dos seus projetos pessoais, como Insônia e O Grande Truque, que não deixam de impressionar. O seu novo trabalho, A Origem, chega para bater de frente com o seu melhor trabalho, Batman – O Cavaleiro das Trevas, e, discutivelmente, pode até levar a melhor.

   O filme, escrito pelo próprio Nolan conta a história de Dom Cobb (Leonardo DiCaprio), uma espécie de espião que, junto com sua equipe, entra nos sonhos de seus alvos e aproveitam o estado vulnerável da mente da pessoa e roubam os segredos desse indivíduo. Após uma operação dar errado, Cobb é convidado a tentar um último golpe, mas diferente do habitual, ao invés de roubar uma ideia, ele terá de plantar uma. A história do filme se desenvolve a partir desse conceito, porém contar mais seria uma injustiça com quem ainda vai ver o filme.

   Muitos reclamaram da complexidade da trama e julgaram difícil o acompanhamento do filme, porém o que parece um bicho de sete cabeças na verdade não é tão complicado assim, porém o espectador tem que sempre manter a atenção no que está acontecendo na tela, se não acabará se perdendo feio.

   A direção precisa de Nolan está a toda em A Origem, desde a empolgante sequência inicial do filme, até o emocionante clímax, que devido às propriedades dos níveis de sonho, a montagem desse momento final chega a ser maravilhosa e extremamente bem feita. Apesar de sua longa metragem, o filme não fica cansativo, já que a todo o momento, pelo menos um pouco de ação está acontecendo. Ação muito bem filmada por sinal, já que Nolan não apela para o uso da “câmera Bourne”, onde as imagens são captadas com realismo quase documental e os cortes rápidos causam vertigem nas pessoas mais fracas, e filma tudo com fluidez e deixa o espectador entender o que está acontecendo. Outro fato que vale mencionar é a escolha do diretor pelo uso, sempre que possível, de efeitos práticos ao invés da computação gráfica. Esse detalhe, torna cenas como a do corredor do hotel ainda mais impressionantes do que vemos na tela, pois ficamos imaginando como que ele conseguiu fazer isso de verdade.

   O elenco está ótimo, encabeçado por DiCaprio, que tem mostrado um amadurecimento sem igual em Hollywood, onde emplaca boa atuação atrás de boa atuação, ainda presentes no filme estão Joseph Gordon Lewitt (de 500 dias com Ela), que vem melhorando a cada filme, Marion Cotillard (ganhadora do Oscar por Piaf) no papel da Femme Fatale , Ken Watanabe (de Cartas de Iwo Jima) com sua competência habitual, Cillian Murphy (de Batman Begins), entre outros.

   Os personagens coadjuvantes são bem desenvolvidos e trazem alguma importância à trama, porém devido a certas limitações do filme, esses personagens secundários não acabam emocionando o espectador, ao contrário de Cobb, onde todo o seu problema principal é a motivação que leva toda a história a acontecer.
Ainda no final, Nolan nos deixa com uma dúvida que vai fazer com que quase todo mundo saia da sala de cinema com uma coceira atrás da orelha e, esse segundo final da projeção, fará com que muitas pessoas voltem para assistir o filme mais uma vez e discutam sobre ele com muitas pessoas, já que A Origem consegue fazer o que um blockbuster normalmente não sabe fazer: botar o espectador para pensar.

Sim, esse é um filme inteligente!

   A Origem chegou ameaçando tirar o posto de melhor filme do ano, que estava sendo ocupado por Toy Story 3, e cumpriu sua promessa. Agora quero ver no ano que vem, negarem uma porrada de indicações ao Oscar para o filme do Christopher Nolan, como fizeram injustamente com o último filme do Batman. O filme tem uma ótima história, ótimos personagens, muito bem interpretados por todo o elenco, além de excepcionais cenas de ação. A Origem é um filme imperdível e confirma a posição de Christopher Nolan como meu diretor favorito da atualidade.

10/10

sábado, 24 de julho de 2010

Predadores (2010)


   Depois dos dois péssimos filmes da série Alien vs. Predador, a imagem do alienígena que adora caçar humanos estava desgastada e precisava de um filme digno para voltar ao seu status de filme visceral e tenso. Predadores não é um filme que vai levar a franquia direto para as grandes premiações nem nada, mas ninguém pode negar que esse projeto, capitaneado por Robert Rodriguez, injeta aquela dose de testosterona que a série estava precisando.

   Dessa vez a história é diferente, ao invés dos monstros virem caçar os humanos em nosso planeta, eles capturam alguns soldados de operações especiais de diversas nações, os piores criminosos e assassinos e um médico e levam esse grupo para um planeta que serve como uma reserva de caça, onde eles irão caçar os bem treinados humanos.

   A produção de Robert Rodriguez é um dos grandes méritos do filme. O cara, que com certeza é um grande fã do original presta aqui uma bela homenagem para o bom material criado em 87, naquela produção com o grandalhão Schwarzennegger, onde Rodriguez mantém o visual estético dos predadores e cria novos monstros muito interessantes..

   Predadores, assim como o original, demora a mostrar os monstros e vai em seu ritmo apresentando cada um dos personagens. Esse tempo de “conhecimento” é o que separa esse filme dos horrendos “Alien Vs Predador” onde os personagens eram tão insossos e nada memoráveis, que a morte deles não tinham qualquer valor à trama do filme.

   O elenco do filme vale destaque. Apresentando uma das mais incomuns contratações para um herói de ação, que aqui é encarnado por Adrien Brody (sim o cara narigudo do “O Pianista”). O elenco ainda apresenta a brasileira Alice Braga, que vem cada vez mais ganhando o seu espaço em Hollywood, Laurence Fishburne (o Morpheus de “Matrix”), Danny Trejo e Topher Grace (de “That 70’s Show”).
Dirigido por Nimrod Antal (do tenso “Temos Vagas”), Predadores apresenta boas cenas de ação, com bastante gore (para a alegria de muitos). O diretor imprime a fita um quê de filme B, que se beneficia do grande orçamento liberado para a produção, de 40 milhões de dólares.

   Essa semana já saiu a notícia de que a FOX vai fazer a continuação de Predadores, que Rodriguez já tinha avisado que esse era uma versão mais contida do que ele realmente tem em mente para a franquia. Agora é esperar para ver aonde o cara vai levar o monstro, depois desse divertido filme.


7.5/10

domingo, 27 de junho de 2010

Toy Story 3

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   Depois de 15 anos do lançamento do 1o filme da série, chega aos cinemas Toy Story 3, o mais novo filme da Pixar. Assim como o 1o filme mostrou a todos que os computadores eram capazes de criar personagens e histórias maravilhosas, esse terceiro filme surge como um ode ao poder da imaginação infantil que, se refletirmos um pouco, é o primeiro passo para, eventualmento, acabarmos tendo histórias tão magníficas quanto a desse filme.

   Assim como de Toy Story 1 para o 2 acompanhamos o crescimento de Andy, nesse terceiro filme nos deparamos com Andy ainda mais velho, já arrumando suas coisas para se mudar para a faculdade. Ele está com 17 anos e não tem mais idade para ficar brincando com seus brinquedos, estes que sentem falta de Andy. Ao ter que arrumar as suas coisas, Andy acaba doando os seus brinquedos para uma creche. Nessa nova casa, os brinquedos serão recebidos pelo urso Lotso e seus amigos. O que no ínicio parece ser o paraíso, onde todo dia, crianças brincarão com eles, acaba se tornando um pesadelo, quando os brinquedos descobrem que por baixo daquela aparência amigável e acolhedora do urso rosa, encontra-se um duro ditador, que manda os brinquedos novos para a sala das crianças pequenas, que não sabem brincar, só destruir  os brinquedos. Agora os ex-brinquedos de Andy tem que encontrar uma maneira de fugir da creche e voltar para casa, para o seu dono.

   Como todo filme da Pixar, Toy Story 3 se disfarça de um filme para crianças, porém o seu grande apelo é para o público adulto, aqueles que já não são mais crianças e possuem apenas boas lembranças dos tempos onde brincavam com seus brinquedos. Os momentos onde o filme toca no ponto do apreço de Andy por seus brinquedos são realmente tocantes e devem fazer até os mais “machões” soltarem algumas lágrimas.
Esse terceiro capítulo é, com certeza, o mais épico da série. Suas cenas de ação são grandiosas e empolgam bastante. Sem contar que o filme, de forma surpreendente, flerta com o suspense, com algumas cenas bem “sombrias” que devem assustar algumas crianças menores, além de apresentar nostalgia e humor na medida certa. A direção de Lee Unkrich ( co-diretor de “Procurando Nemo”, em seu primeiro longa como diretor solo) é ótima, dando bom ritmo às cenas de ação e boa ambientação aos momentos de suspense. Ele mantém o filme nos trilhos e segura o ritmo da fita até o final.

   Os personagens clássicos estão quase todos lá, pelo menos os mais memoráveis, mas esse não seria um filme Pixar se os personagens apresentados não fossem tão interessantes e cativantes quanto os que nós já conhecíamos. Lotso se mostra um vilão terrível, o que é muito irônico, já que ele é um urso rosa com cheiro de morango. Outro personagem novo que rouba a cena é o Ken, que protagoniza algumas das cenas mais engraçadas do filme.

   O 3-D é outro ponto forte do filme. Esse artíficio é usado com consciência, como um meio de criar profundidade nos planos e aumentar a experiência do filme e não como uma patética desculpa para ficar jogando coisas na cara do público.


   Toy Story 3 é mais uma prova de que a Pixar é o melhor estúdio em atividade hoje em dia e de que esses caras ainda não aprenderam a fazer filmes ruins. Porque não é todo filme que consegue fazer um monte de pessoas, de 20/30 anos falarem, ao final da sessão: “Chegando em casa, acho que vou brincar com os meus brinquedos de novo!”.

10 / 10




PS: Como todo filme da Pixar no cinema, antes da projeção do filme, é apresentado um curta-metragem desenvolvido pelo estúdio. Dessa vez o curta se chama “Dia e Noite” é mostra como dentro da Pixar existem pessoas 100% comprometidas em inovarem e buscarem maneiras de contar histórias de modos nada ortodóxos e convencionais. Assim como Toy Story 3 é irretocável, esse curta, também, beira à perfeição.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Homem de Ferro 2

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   Parece que foi ontem que o primeiro Homem de Ferro chegou aos cinemas, mas no fim de semana passado já estava chegando aos cinemas a seqüência do filme que pegou todos de surpresa dois anos atrás.

   Homem de Ferro 2 começa imediatamente onde o primeiro parou, com Tony Stark no palanque dizendo a todos que ele é o Homem de Ferro, à partir daí somos apresentados ao novo vilão, Ivan Vanko ( Mickey Rourke, de “O Lutador”, em ótima atuação). Logo depois somos levados a 6 meses no futuro onde encontramos Tony Stark aproveitando o status que ser o Homem de Ferro trouxe para ele e, mais do que nunca, vemos Stark afogado em seu gigantesco ego. Agora, Stark sofre com a pressão dos militares para entregar a sua tecnologia, já que esses querem explorar as possibilidades criadas por ela. Stark, ainda tem de lidar com o seu concorrente Justin Hammer (Sam Rockwell) , que também quer, a qualquer custo, a sua tecnologia.

   Robert Downey Jr. É um ator magnífico. Basicamente, se não fosse por ele, Homem de Ferro não teria se tornado o que se tornou e, nessa continuação, ele continua mantendo o ótimo trabalho do primeiro, ou até melhorando, já que nesse novo filme temos muito mais momentos onde Downey representa o mimado, excêntrico e narcisista Stark. Grande parte do elenco não fica atrás também, como, por exemplo Mickey Rourke que está ótimo como o vilão Chicote Negro, Don Cheadle, que substitui à altura o ator Terrence Howard, como o melhor amigo de Stark, o coronel “Rhodey” Rhodes, além do próprio diretor, Jon Favreau, que atua no filme como o guarda-costas/motorista do Tony Stark e proporciona boas risadas quando está emc ena.

   Poucos sabem, mas o diretor Jon Favreau é um famoso ator de comédia, você pode não conhecê-lo por nome, mas, com certeza, já assistiu algum filme com ele. É por esse fato que uma das maiores surpresas do primeiro filme, e no segundo também, são que as cenas de ação são tão bem filmadas e divertem, bem diferente do que Michael Bay faz com seus filmes “Transformers” onde a “diversão” que ele tenta fazer, sufoca. É de Favreau, também, o crédito pelo lado bem humorado da franquia do ferroso, já que ele veio desse mundo cômico, então possui o “feeling” para fazer comédia.

   Mais uma vez, o roteiro foca mais nos personagens e torna a ação mais como uma conseqüência, do que um motivo para o filme e isso recompensa bastante, já que Tony Stark é um dos personagens mais “despresíveis”, se fossemos analisar a personalidade dele, mas mesmo assim, saímos do cinema amando o cara. Nesse filme vemos, também, um foco maior na relação de Stark com Rhodey, onde esse aparece mais como nos quadrinhos, como um amigo que não tem medo de se impor e não apenas um mero coadjuvante.

   É de praxe, com o lançamento de qualquer grande seqüência, os debates sobre se o segundo foi melhor do que o primeiro. Apesar de ser um assunto subjetivo, em alguns casos é indiscutível de que a seqüência foi melhor do que o primeiro. Infelizmente, Homem de Ferro 2, não é um caso unânime de superioridade em relação ao primeiro. Apesar de ser quase tão eficiente quanto o primeiro, o filme não tem o charme da surpresa que o primeiro filme teve. Não me leve a mal, se tivesse feito uma crítica para o primeiro Homem de Ferro, minha nota final do filme seria no máximo meio ponto a mais do que a nota da seqüência.

 

Homem de Ferro 2: 9 / 10

Homem de Ferro: 9.5 / 10

Obs: só para ter uma base de como achei em relação ao 1º filme, está aqui a nota para o Homem de Ferro também

segunda-feira, 29 de março de 2010

O Livro de Eli



   De vez em quando, no meio dessa mesmice que são os filmes de ação hoje em dia, surge uma pérola, um filme especial que quebra os moldes que estão sendo exaustivamente desgastados. Filmes que são empolgantes, emocionantes e, acima de tudo, são originais. O Livro de Eli, um filme dos Irmãos Hughes (diretores de Do Inferno), é um desses filmes.

   O filme conta a história de Eli ( Denzel Washington ), um andarilho que, em um ondo pós-apocalíptico, é o suposto detentor da última Bíblia existente, já que durante a guerra que devastou o mundo, todos os exemplares foram queimados (seria a Guerra Santa?). Eli caminha em direção ao oeste, como lhe instriu uma voz muitos anos atrás. Durante a sua jornada, ele irá cruzar o caminho de Carnegie ( Gary Oldman, mais uma vez ótimo como vilão ), uma espécie de xerife de um pequeno vilarejo de sobreviventes, que busca incansavelmente por uma Bíblia, pois deseja usar as Palavras de Deus para expandir o seu poder e o seu domínio sobre as poucas pessoas que sobraram vivas.

   Como uma suposta guerra nuclear aconteceu, o mundo virou uma espécie de deserto gigante e isso é muito bem retratado com a ótima escolha da pelate de cores uitlizada, que torna as imagens mais “pálidas”, aumentando a sensação de desolação.  

   Os diretores fazem ótimas escolhas ao longo do filme, além da estilização das cores, eles decidem não fazer cortes rápidos durante as cenas de lutas, coisa que vai na contramão da tendência atual e faz bem ao filme, pois ressalta o ótimo trabalho de coreografia das lutas, que são dignas dos clássicos “filmes de espadas” chineses e japoneses, com destaque para uma cena de luta, envolvendo 7 ou 8 pessoas, filmada em plano-sequência ( uma tomada única, sem cortes ).

   Outra boa escolha é não abusar do didatismo, ou seja, o filme deixa algumas questões em aberto, ou apenas nos indica através de imagens, sem utilizar de diálogos desnecessários para “levar o espectador pela mão”, por exemplo, em nenhum momento o filme nos fala que foi uma guerra nuclear, porém na cena inicial vemos Eli, dentro de uma roupa de contenção, caçando um gato. Cada um pode interpretar como quer, mas pelo menos incita o espectador a pensar um pouco sobre o que está assistindo.

   Apesar da história ter um cunho religioso, os ateus e agnósticos mais fervorosos podem ver o filme como uma palestra sobre cristianismo (obs: sou agnóstico e não me importei), o filme levanta boas questões sobre o que é justificável e o que é condenável quando todas as formas de regulamentos sociais foram jogados pela janela quando o mundo foi destruído, além de ressaltar a importância dos livros, coisa que hoje em dia está meio que sendo passada para trás, com os avanços tecnológicos e a infantilização da sociedade.

   A direção extremamente competente, aliada a ótimas cenas de ação e uma história original, que não pesa no didatismo e faz o espectador botar a cabeça para pensar um pouco fazem de  O Livro de Eli um ótimo filme de ação e, além disso, uma ótima diversão.


8.5 / 10



sexta-feira, 19 de março de 2010

The Cove

   

  
   The Cove (A Angra, em tradução literal) é um filme extremamente forte. Apresentando uma situação que muitas pessoas nunca tinham ouvido falar de, o documentário vencedor do Oscar impressiona, choca e emociona o espectador.

   O filme documenta a história de Rick O’Barry, ativista que começou a sua carreira como o treinador dos golfinhos utilizados no programa de televisão Flipper. Após a morte do golfinho, devido à uma depressão causada pela vida em cativeiro, o treinador decidiu desmascarar os abusos feitos aos cetáceos que vivem em cativeiro e, também, parte em uma missão para  derrubar as indústrias que massacram milhares desses animais por ano.

   The Cove foca no que acontece em Taiji, uma pequena cidade no Japão, onde a indústria pesqueira de golfinhos pratica atrocidades e, aproveita a alienação da população, para ganhar muito dinheiro de modo anti-ético. O filme levanta informações sobre o mercado de pesca no mundo e para onde estamos indo com esse consumo desenfreado, além de mostrar, também, os riscos do consumo de carnes contaminadas com níveis alarmantes de mercúrio, outro fato que foge do conehcimento da população.

   Com tom de thriller de espionagem, o diretor do filme monta uma equipe com a ajuda de Rick, para tentar documentar o que acontece na angra do título. Com operações dignas de dar orgulho aos oficiais de operações especiais de qualquer exército, o grupo tem que lidar com agentes das companhias pesqueiras que ficam, constatemente provocando os envolvidos no projeto, tentando criar motivo para jogá-los na cadeia.

   Essa montagem do filme, como um thriller de espionagem, funciona muito bem, principalmente nas sequências onde o grupo está tentando plantar as ferramentas para o monitoramento da angra, onde a tensão chega a ser sufocante, pois faz o espectador imaginar o que os pescadores poderiam fazer se capturassem os  “espiões”, já que fazem o impensável com os animais.

   As imagens, extremamente gráficas, causam repulsa e tristeza, porém trazem à luz um abuso que é despercebido pelo mundo e liberado legalmente, já que as regulações internacionais só dizem respeito às baleias, que sofriam o mesmo abuso algumas décadas atrás.

   Não é à toa que o documentário ganhou o Oscar esse ano. O filme é muito bem montado e o tema é muito pertinente. Apesar da tristeza que dá ao assistir as cenas mais pesadas do filme, é uma situação que todo mundo devia ter consciência. Isso é jornalismo investigativo em sua melhor forma.

OBS: Quem quiser assistir ao filme, nesse site está disponível para quem quiser ver. O site funciona com streaming (mesmo esquema do YouTube) então não precisa baixar nada.


9.5 / 10

quarta-feira, 17 de março de 2010

Ilha Do Medo




   “Ilha do Medo” marca a volta de Martin Scorsese ao gênero do suspense, o último filme do diretor  nesse estilo havia sido “Cabo Do Medo” em 1991. O filme mostra, também, que Scorsese não se aquietou depois de, finalmente, ganhar um Oscar, já que esse é um dos projetos mais corajosos da carreira do diretor.

    O filme, adaptado do ótimo livro de Dennis Lehane (autor de Sobre Meninos e Lobos), conta a história do agente federal Teddy Daniels (Leonardo DiCaprio, em uma ótima atuação) e de seu parceiro Chuck Aule (Mark Ruffalo, também em atuação surpreendente), que são chamados à Shutter Island, um hospício/prisão situado em uma ilha na costa de Boston, para investigar o sumiço de uma paciente. Logo que chegam no local, os agentes percebem que há algo mais ocorrendo por ali, já que são recebidos com frieza e desconfiança por todos os funcionários do lugar.

   A direção de Scorsese é impecável como sempre e da um tom meio noir à investigação. O maior destaque vai para as sequências de sonho do protagonista, onde o diretor utiliza uma paleta de cores mais claras, que dá uma idéia de uma vívida lembrança e faz contraste com os tons acizentados utilizados pelo diretor na ilha. Nessas sequências, Scorsese abusa de câmera lenta e objetos voando na tela para criar uma sensação de leveza e tornar a imagem um tanto quanto etérea.

   Outro destaque do filme é a atuação de Leonardo DiCaprio, que faz o atormentado agente federal Teddy Daniels. Assim como a personagem de Jack Nicholson em “O Iluminado”, que se via trancafiado em uma edificação remota e, tinha que encarar fantasmas do seu passado, Teddy Daniels também tem sua cota de bagagem que leva consigo para a ilha e, ao longo da investigação, terá de lidar com essas fantasmas do passado.

   O elenco de apoio do filme também não faz feio, com Ben Kingsley como o doutor chefe da instituição, que só alimenta a chama da desconfiança do protagonista já que apresenta sempre uma visão razoável e analítica, como se tudo e todos fossem seus pacientes, e Max Von Sydow, que aparece em pequeno papel, mas não faz feio quanto está em cena, como um médico da instituição, além outros atores, não tão conhecidos pelo grande público, que fazem pequenas, mas memoráveis aparições.

   Como todas adaptações de livros pra a o cinema, Ilha Do Medo tem que modificar um pouco a trama para poder funcionar como filme, porém esse é um dos raros casos onde o roteiro faz um excelente trabalho em adaptar o livro. As únicas informações que foram retiradas do livro para o filme não fazem falta alguma à história e dão uma fluidez melhor a situação apresentada.

   Com cenas muito gráficas e um tema pesado, não é à toa que as críticas para Ilha do Medo estão saíndo tão polarizadas. O filme é um projeto muito corajoso de Martin Scorsese que mostra que o diretor não perdeu vigor depois de ganhar uma estatueta da academia.

   São filmes como esse que fazem as pessoas, pelo menos as que realmente gostam de cinema, desejar que os filmes de terror e suspense fossem todos dirigidos por diretores de alto escalão.


8.75 / 10

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

9 -- A Salvação

   


   Existem muitos casos de uma idéia genial que não atinge o seu verdadeiro potencial devido à uma pobre execução, o filme “9 – A salvação”, infelizmente, é mais um desses casos.

   O filme é um longa metragem de animação computadorizada criada pelo iniciante Shane Acker. O filme é produzido por ninguém mais do que Tim Burton (Edward Mãos de Tesoura, A Fantástica Fábrica de Chocolates)  e, para os que conhecem, também é produzido pelo russo Timur Bekmambetov (O Procurado), outro diretor que tem um estilo próprio bem característico.

   Apesar do conceito do filme ter sido criado pelo próprio diretor (Acker), o filme pode muito bem ser vendido como uma criação de Burton e, com certeza, as pessoas mais desavidadas nem saberiam dizer que não é, devido ao tom sombrio e a aparência “gótica” do filme, características que já se tornaram marcas registradas de Tim Burton.

   “9” conta a história de um mundo pós-apocalíptico onde os humanos foram dizimados após uma guerra contra as máquinas, que agora dominam o mundo, e os únicos sobreviventes são 9 bonecos de pano criados por um cientista antes de sua morte. Agora esses bonecos precisam lutar para acabar com essa ameaça que são as máquinas.

   O ponto forte do filme são os visuais, onde Acker idealizou um incrível mundo desolado pela guerra contra as máquinas que, por algumas dicas visuais, parece ter acontecido durante o período da guerra fria, o que da um ar daqueles filmes “trash” de ficção científica. Como os bonecos são pequenos, o diretor sempre coloca em cena objetos cotidianos para criar um senso de escala e ficar claro como os pequenos bonecos são, quase, indefesos contra as máquinas.

   O filme peca um pouco em seu roteiro, que parece um pouco “corrido” em momentos e dá a impressão de que o fio de narrativa só está lá para ligar uma cena de ação à outra, deixando muito a desejar no que poderia ser uma narrativa interessante, como foi a do curta-metragem “9”, que foi o trabalho de conclusão de curso do diretor na sua faculdade e que, mais tarde, impressionou os grandes nomes, que produziram o filme, e fizeram com que esses diretores renomados dessem o sinal verde para Acker transformar o seu pequeno trabalho em um longa.

   Apesar dos brilhantes 15 primeiros minutos onde não existe nenhum diálogo, “9 – A salvação” é um filme divertido que não alça o voo que poderia, já que nunca atinge o seu potencial. Com boas cenas de ação e um desfecho interessante o filme não passa de uma boa diversão.


6.5 / 10


OBS: "9 -- A Salvação" já está nas locadoras.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Vício Frenético

   


    Vício Frenético é o novo filme do cultuado diretor alemão Werner Herzog, diretor que é famoso por retratar homens obsessivos, em situações nas quais o ambiente acaba moldando o seu comportamento, para o bom ou para o pior, nesse caso o ambiente é a New Orleans pós-Katrina e a obsessão, o vício do tenente por drogas.

    O filme conta a história do tenente Terence McDonagh( interpretado por Nicolas Cage em uma ótima atuação), um policial que foi promovido ao posto de tenente após salvar um prisioneiro que iria morrer afogado durante o furacão Katrina, só que ao pular na água para salvar o tal prisioneiro, ele sofre um acidente que o deixará com dores nas costas para o resto de sua vida, o que fará com que o tenente desenvolva um vício por analgésicos e, depois, por todo e qualquer tipo de droga (segundo ele só toma o que é prescrito, exceto pela heroína). Durante o filme acompanhamos o tenente enquanto esse investiga um assassinato de uma família de imigrantes ilegais senegaleses, e ao mesmo tempo viajamos com o protagonista até o fundo do poço.

    Ao retratar esse espiral descendente do tenente, o diretor dá ao filme um tom quase cômico à desgraça da personagem, isso tudo pois em nenhum momento acreditamos que o problema enfrentado pelo tenente é gratuito, entendemos a situação que ele enfrenta e até simpatizamos com a personagem, pois como vemos no filme, ele não é uma má pessoa. Debaixo do oficial de policia viciado em drogas, está um ser humano que se preocupa com o seu pai alcoólatra e com a sua namorada prostituta. Esse desiquilibrio mental e emocional é extremamente bem retratado na, ótima, atuação de Nicolas Cage, mostrando que, apesar dos últimos filmes que vinha fazendo, ele ainda sabe atuar. O elenco ainda conta com outras celebridades que fazem papéis um pouco menores, como Val Kilmer como um companheiro policial de McDonagh e a presença de Eva Mendes, como a prostituta namorada do protagonista.

    Werner Herzog é um cara que sabe o que faz. O alemão abusa da câmera na mão e de sequências longas sem cortes para dar uma fluidez melhor à fita e, também, trazer à tona as habilidades dos atores, pois com menos cortes, os atores tem que trabalhar melhor durante cenas mais longas. Outro destaque para a direção são os enquadramentos utilizados pelo diretor, tanto nas cenas em que retrata o pico da viagem do tenente ao utilizar as suas drogas, onde ele utiliza de closes em iguanas e outras coisas para causar estranheza, quanto ao longo da fita, onde os enquadramentos nunca perdem a personagem principal de vista, nem que essa apareça no reflexo de um espelho no canto da tela.

    Apesar de o meio do filme perder um pouco de ritmo, Herzog se redime com um final que tem que ser visto como irônico aos padrões hollywoodianos, e se assim interpretado, o desefecho se torna ratificante. O final pode deixar alguns um pouco frustrados, mas se analisado com um pouco de profundidade, pode-se encontrar traços de genialidade do roteiro.

    Somente a ótima atuação de Cage ja valeria o ingresso para ver o filme, mas a espetacular direção de Herzog também vale destaque. No fundo, Vício Frenético não deixa de ser um filme de genêro policial; Mas faz um ótimo trabalho sendo um.


8 / 10

domingo, 20 de dezembro de 2009

Avatar





                Depois de muito tempo de espera, muita hype criada e muita dúvida de quase todos, Avatar chegou aos cinemas. Com um orçamento exorbitante, na faixa dos 300 milhões de dólares, o filme que James Cameron (diretor de Exterminador do Futuro e Titanic) ficou mais de 10 anos preparando é, sim, uma obra magnificia, que proporciona uma experiência imerssiva no cinema nunca vista antes. Claro que para a experiência ser completa, você tem que assistir o filme como o criador o idealizou, em IMAX 3D.

           James Cameron é um cara que gosta de inovar, quebrar barreiras e revolucionar. Desde os 80 e o começo dos anos 90 com os seus filmes da série Exterminador do Futuro ele veio se consagrando como um grande diretor de filmes de aventura e ficção científica, além de desenvolver efeitos especiais que nunca haviam sido vistos antes, abrindo novos horizontes para milhões de novas possibilidades relacionadas a efeitos especiais. Para Avatar o cara passou uma boa parte dos últimos 10 anos desenvolvendo a tecnologia que seria necessária para ele contar a história que, segundo o Cameron, era o projeto da vida dele.

            Acompanhando os trailers e propagandas eu estava muito duvidoso em relação a esse projeto, já que todas as cenas que havia visto não tinham me impressionado em nada e os personagens me pareciam iguais aos de qualquer outro filme que tinha algun personagem gerado por computador. No cinema, é completamente outra história. Ao assistir o filme na tela gigantesca do IMAX, a primeira coisa que me chamou a atenção foi a noção de profundidade que o diretor conseguiu com essas sua nova tecnologia, logo na 1ª cena do filme, o enquadramento parece ter uns 100 metros de profundidade na tela! É realmente incrível. Outra coisa que chama muito a atenção é o nível de detalhamento dos personagens. Em cenas de close, é possível ver os poros na pele dos Na'Vi!!! É de outro mundo!

           Em relação à história, Avatar segue um caminho já trilhado e conta uma história já consagrada, o filme é basicamente Pocahontas no espaço, mas todo o tempo que Cameron dedicou na criação de toda a fauna e flora de seu planeta e a tecnologia 3D que te coloca no meio da história, o [planeta] se transforma em um personagem do filme e faz você se relacionar mais ainda com o sofrimento dos nativos. Vale destacar que como o James Cameron é um bom diretor e sabe como contar uma história, ele cria personagens que acabam tocando o público e fazem essas pessoas se preocuparem com esses personagens, o que não é nada comun nos famigerados blockbusters (o melhor exemplo de personagens que não dizem nada a ninguém é em Transformers 2, onde os robôs iam morrendo e ninguém sentia pena deles).

          No final da sessão, quase não acreditei do tanto que eu gostei do filme. Depois de chegar sem expectativas de ver um filmão, James Cameron me surpreendeu com um. Agora quero assistir pelo menos mais uma vez o filme nos cinemas 3D, pois quando sair no DVD o filme não terá metade da graça. Apesar da história “batida” do filme, Cameron realmente criou um novo modo de ver e fazer cinema, criando uma experiência de imerssão nunca vista antes. Acreditem em todas as especulações, Avatar realmente é um divisor de águas e com certeza se tornará um clássico de ficção científica.



9 / 10

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

(500) Dias Com Ela






                (500) Dias Com Ela” é mais uma comédia romântica a chegar aos cinemas, o mais interessante é que, esse filme não é só mais um, ele realmente tem conteúdo. Os motivos que tornam esse filme especial quando comparado a todos os outros filmes desse estilo que chegam aos cinemas todas as semanas são: 1) Uma honestidade incomparável na visão do “amor” e 2) Uma direção interessante e extremamente criativa do egresso de videos músicais e estreante em longas, Marc Webb.

                O filme conta a história de Tom (Joseph Gordon-Levitt de “10 Coisas que Eu Odeio em Você”) e Summer (Zooey Deschanel de “Sim Senhor”) e dos 500 dias de seu relacionamento, daí o título. Tom é um garoto que trabalha escrevendo cartões comemorativos e tudo que deseja é conhecer a mulher de sua vida, já que ele acredita veemente no amor. Summer gosta de aproveitar a vida sem compromissos e rótulos, portanto, não acredita no amor. Quando os dois se conhecem no escritório Tom se apaixona a 1ª vista e, a partir daí, nascerá o relacionamento que irá ser contado nos 500 dias do título.

                Todos os relacionamentos são feitos de altos e baixos, momentos bons e ruims e esse filme entende isso, então não tenta mistificar o relacionamento como os filmes românticos normalmente fazem, naquela fórmula de “tudo vai bem, até o momento que algo acontece, o garoto precisa correr até a sua mulher e soltar uma frase de feito para reconquistar a garota e ficar tudo bem”. As personagens principais são muito humanas nesse sentido, já que eles têm os seus dias bons e ruims, suas brigas sérias e bobas e tudo mais, como num relacionamento de verdade.

                A direção de Marc Webb é muito interessante no seu modo de contar a história, já que não a conta linearmente, o diretor pega dias aleatórios e segue uma sequência ilógica, mostrando momentos-chave da relação de Tom e Summer. Como Webb já possui uma grande experiência em contar pequenas histórias em seus videoclipes, seu catálogo passa dos 100 vídeos, ele utiliza essa abordagem para trazer um pouco de inovação, contando pequenas histórias nos dias que vai nos mostrando. Esse esquema de falta de lienaridade torna a experiência de assistir o filme muito mais imerssiva, pois a falta de sequência lógica tira a sua referência de onde você está na história e o que falta acontecer, então você deixa de lado tudo isso e só aproveita a história que está sendo contada.

                São todos esses aspectos que tornam “(500) Dias Com Ela” uma experiência extremamente gratificante. A maneira peculiar de contar a história, a sensibildade romântica com a qual é muito fácil de se relacionar e a boa escolha dos atores principais, esse é um filme   deliciosamente imperdível.

9.5/10

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Bastardos Inglórios





Acho que essa deve ser a minha obra-prima”
                                             Tenente Aldo Raine


        
            Essa frase, que no filme Bastardos Inglórios é dita por Brad Pitt, pode muito bem ser interpretada como palavras do próprio Sr. Tarantino, impressionado com o resultado de sua mais recente obra.


            Até então não gostava de Quentin Tarantino. Os poucos filmes que tinha assistido não haviam me interessado e, em um caso, nem consegui assistir o filme inteiro. (Para deixar bem claro...eu nunca assisti Pulp Fiction). Porém, todos os trailers dos Bastardos me fizeram querer dar mais uma chance para o cultuado diretor.


            Bastardos Inglórios pode ser classificado como uma comédia de guerra, mas o filme é muito mais do que isso.


            O filme conta duas histórias em paralelo, uma é a dos Bastardos própriamente ditos, eles que são um bando de soldados judeus americanos que aterrorizam as tropas alemãs por sua crueldade no campo de batalha. A outra história é a de Soshana, uma judia que teve a sua família exterminada pelos nazistas e anseia por vingança.


            Como todos sabem, com Quentin Tarantino as coisas nunca são “normais” e esse filme não foge da regra. O diretor toma algumas “liberdades narrativas” sobre a história da guerra, que duvido as pessoas não saírem da sala de cinema com um sorriso de orelha a orelha. Em outras palavras, a história do filme é muito boa. Os diálogos são um ponto forte que, apoiado por ótimas interpretações, dão muito o que pensar.


            Ouvi falar muito sobre a violência presente no filme, mas ao assistir, tenho que dizer que isso tudo foi supervalorizado. Bastardos Inglórios não é muito mais violento do que alguns filmes sobre a 2ª Guerra Mundial e ao contrário desses outros filmes, que retratavam a guerra com um tom realista e deixava-nos chocados com as atrocidades, nesse filme a violência é “divertida” e bem banalizada como só o Tarantino sabe fazer.


            Apesar de seu longo tempo de duração (2h40min) o filme não pesa sobre o espectador, que sai do cinema ofegante após o grandioso climax do filme.
            Assim como quase todas as obras de Quentin Tarantino esse filme também é um ode ao cinema e todo o amor que o diretor sente pelo mesmo está presente no filme, cheio de referências ao cinema clássico, sem contar que uma boa parte da trama gira em torno de um cinema situado na Paris ocupada por nazistas.


            A ótima direção de Tarantino, as ótimas interpretações ( destaque para o coronel da SS vivido pelo, até então, desconhecido dos holofotes hollywoodianos, Christoph Waltz que rouba a cena de um Brad Pitt que tenta roubar a cena), diálogos inteligentes ( destaque para a sequência inicial, que apresenta um dos interrogatórios mais tensos da história do cinema, tudo isso graças a diálogos brilhantemente escritos por Tarantino)  e muita ação se juntam para fazer o que pode muito bem ser o melhor filme do ano até agora.


É nesse momento que deixo o meu ódio preconceituoso que tenho pelo Tarantino e só posso dizer  “Parabéns!”. Isso sim que é um filmão.




9.5/10

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

O Informante




O Informante é um filme que beira à perfeição, com uma ótima direção, performançes excelentes de todo o seu elenco além de uma história envolvente e emocionante.

Michael Mann é um cara extremamente talentoso. Diretor de filmes como Fogo Contra Fogo, Colateral e Miami Vice, ele sabe como fazer um filme denso e emocionante, com histórias muito mais elaboradas do que o thriller básico que inunda o cinema atual, é uma pena que O Informante não é tão lembrado  como deveria pelas pessoas hoje em dia.

O filme conta a história real de um caso que aconteceu com o programa “60 Minutes” nos anos 90, quando enfrentou vários problemas jurídicos ao tentar transmitir uma entrevista que iria expor os podres da indústria do tabaco. A trama é vista através do ponto de vista de um recém demitido executivo da indústria do Tabaco, chamado Jeffrey Wigand (Russel Crowe de Gladiador) e do produtor do programa “60 Minutes”, chamado Lowell Bergman (Al Pacino de Um Domingo Qualquer).

O filme pode ser dividido em duas grandes partes com um prólogo e um epílogo. A 1ª delas acompanha o ponto de vista de  Wigand quando é demitido e decide abrir a boca sobre a a indústria para quem costumava trabalhar e é aí que tudo desanda, a personagem começa a receber ameaças de morte, sua esposa se divorcia dele e acompanhamos todo o processo em que ele pondera se deve ou não falar. Na 2ª parte acompanhamos Lowel Bergman e toda a sua luta com a administração da rede de tv para qual trabalha, que está cancelando a transmissão da entrevista com Wigand pois está com medo das retaliações legais que virão se o programa fosse para o ar.

As performances dos protagonistas Al Pacino e Russel Crowe são magníficas. Não consigo me lembrar de nenhuma atuação melhor de Crowe, que nesse filme está perfeito no papel do ex-executivo que vê a sua vida entrar numa espiral decadente quando decide falar com a imprensa sobre os podres que a indústria do tabaco esconde tão bem. Al Pacino está em seu último grande papel ante dos anos 2000 quando pareceu que perdeu toda a seu bom senso na hora de escolher projetsos e, também, a sua habilidade de atuar. O elenco de apoio também está muito bem em seus papéis, com destaque para Christopher Plummer que faz o papel de Mike Wallace, apresentador do programa “60 Minutes”.

Mann é conhecido por sua precisão como diretor, ele analisa tudo meticulosamente antes de fazer qualquer coisa, ou seja, todos os seus enquadramentos e cortes, a sua trilha sonora, é tudo pensado. Em O Informante, acredito, que não existe nada que poderia ser mudado ou melhorado. Tudo está perfeitamente colocado no filme e não há nada que ninguém conseguria idealizar melhor do que o diretor já fez; como já disse no começo da resenha esse filme beira à perfeição.
A transição entre as partes principais é tão sutil e bem colocada que nem percebemos acontecer e a introdução do filme onde vemos a personagem de Al Pacino conduzindo a entrevista no Oriente Médio não tem nenhuma importancia para a história própriamente dita do filme, mas mostra o caráter de quem é Lowel Bergman que acaba sendo um dos pontos centrais do argumento da história, tornando a cena extremamente bem colocada no contexto geral..

Infelizmente nunca havia assistido essa obra prima que é O Informante, mas ainda bem que assisti e recomendo a todos assistirem, pois esse é um filme extremamente poderoso com uma história muito próxima da gente (quantos amigos, parentes etc. Não fumam?) e muito pouco valorizado, o que é uma pena. Vendo que Beleza Americana ganhou o Oscar em 1999 quando concorria com O Informante prova que a Academia não sabe de nada, esse filme merecia todos os 7 Oscar’s que concorreu e, na minha opinião, mais uma dúzia de outros prêmios.


9.95/10

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

District 9





O filme Distrito 9 estreiou nos EUA a quase um mês já e desde que começaram a sair os virais para promover o filme eu já tinha ficado muito empolgado em assistir esse que, pelo pouco que tinha visto, parecia ter uma premissa bem original para um filme de ficção cientifica. Foi então que descobri que já tinha uma cópia em qualidade de DVD rolando pela internet então não consegui segurar a curiosidade e baixei para ver o filme.

Vou dizer que pretendo ir no cinema ver de novo!

O filme mostra uma Joanesburgo alguns anos no futuro onde alienígenas vem vivendo com os humanos a pelo menos vinte anos. Mas essa convivencia não é pacífica, já que rola um preconceito com os ET’s, carinhosamente apelidados de “camarões”. Essas criaturas vivem em um bairro cercado chamado “Distrito 9”, que é,  basicamente, uma favelona. O personagem principal é Wikus Van De Merwe, um funcionário da MNU, uma espécie de ONU da ficção.

Assim como o filme Up, acho que contar mais sobre a história do filme pode estragar a experiência de assisti-lo, já que é um filme que tem um quê de “fresco” em sua originalidade (não consigo pensar em nenhum filme como esse).

Distrito 9” tem um tom muito politizado, coisa que não é comum em ficções científicas e acho que é esse tom e a premissa pouco convencional, que coloca os extraterrestres tentando conviver na sociedade com os humanos, que tornam esse filme diferente e, por consequencia, um filme que deve ser assistido.

Outro ponto forte dessa produção são os efeitos especiais que foram feitos pela empresa do Peter Jackson (de O Senhor Dos Anéis, que aqui fica com o cargo de produtor) que são espetaculares em criarem as criaturas que parecem reais. O mais impressionante é que esses efeitos especiais de qualidade das maiores produções de Hollywood foram feitos com, supostamente, apenas 30 milhões de dólares (!!), o que é uma quantia impensável para uma produção desse tipo.

O cargo da direção fica com o estreante Neil Blokamp que faz um ótimo trabalho colocando um estilo próprio que casa muito bem com o tom de documentário/câmera na mão. Esse filme é uma estréia impressionante e deixa você pensando o que esse cara poderia ter feito com o filme baseado no jogo de videogame Halo que era para ter sido o 1º projeto dele antes de ter sido cancelado pelo estúdio.

Distrito 9 é um filme original, com uma história bem diferente e legal e com ótimas cenas de ação. Na minha opinião é uma das melhores produções de ficção científica dos últimos anos. Recomendo muito irem checar o filme quando sair nos cinemas aqui no Brasil.


9/10

terça-feira, 15 de setembro de 2009

UP! - Altas Aventuras


Ontem a noite fui assistir ao novo filme da Pixar, Up.

Assim como todo mundo já deve saber o filme conta a história de um velinho rabugento que amarra a sua casa em milhares de balões e parte em direção a uma aventura na América do Sul, porém, sem querer, acaba levando consigo um pequeno escoteiro atrapalhado.

Só de pensar pela dupla inusitada de protagonistas do filme já fica meio díficil acreditar que esse é um dos mais divertidos e, discutivelmente, o melhor filme da Pixar (o que é grande coisa, devido ao impressionante catálogo da produtora).

Para não contar mais detalhes que possam estragar a história do filme, serei breve em dizer o que tenho para dizer.

É incrível como a Pixar tem um jeito de criar personagens tão memoráveis e adoráveis a cada filme que fazem, seja Woody e Buzz do clássico Toy Story, ou o pequeno Nemo de Procurando Nemo, a Pixar sempre criou personagens memoráveis e em Up não é diferente. Carl e Russel, os dois protagonistas, são sensacionais. Engraçados, tocantes e muito simpáticos.
Outro fato que é impressionante é como a Pixar consegue desenvolver esses personagens durante o filme, só na sequencia de abertura, que deve durar uns 15 minutos e tem poucas falas, o filme consegue desenvolver a história de seu protagonista melhor do que muitos filmes que estão por aí.
Up tem de tudo: momentos emocionantes, momentos engraçados, momentos de reflexão, momentos de puro nonsense...E é essa combinação, tão inusitada quanto os seus protagonistas é que faz o filme tão maravilhoso. Pode-se dizer que Up é uma montanha-russa de emoções e essa é uma montanha-russa que adorarei revisitar antes de morrer.

Com a Pixar não tem erro, isso todo mundo sabe, e Up não é só mais um acerto deles. Muito provavelmente é o maior acerto deles.


9.5/10

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Anti-Cristo (2009)




Anti-cristo
é um filme de Lars Von Trier (para quem não conhece, ele foi o diretor de Dogville, com Nicole Kidman), diretor que adora inovar em seus filmes, como em Dogville (no qual os cenários não passavam de linhas no chão delineando casas da pequena cidade), nesse novo trabalho Von Trier decide chocar o público, e quando digo decide, ele realamente ira te chocar, desde sua, incrivelmente bela, trágica e quase pornográfica cena de abertura (filmada totalmente em câmera lenta e preto-e-branco) até as cenas de "tortura" e sexo, que ocorrem ao decorrer do filme.
Quando eu menciono "tortura" é preciso dizer que esse é o 1o filme de "terror" na carreira do diretor e conta a história de um casal que perde o seu filho bebê em um acidente e depois disso entram num processo de luto. Enquanto a mulher sofre absurdamente, o marido, psicólogo, é mais racional e tenta ajudar a esposa a superar essa depressão levando-a para a cabana que eles possuem nas montanhas.

Von Trier sempre busca contar as suas histórias de modos inventivos, nesse filme ele divide a história em 4 capítulos: "Luto", "Dor (Caos Reina)", "Desespero (Ginocídio)" e "Os três mendigos" além de um Prólogo e um Epílogo. Outra coisa que chama a atenção é existem apenas 2 atores na grande maioria do filme, o homem (Willem Dafoe, de Homem Aranha) e a mulher (Charlotte Gainsbourg, de 21 Gramas).
Tendo uma duração de quase 2 horas o filme pode parecer cansativo em partes, mas acredito que isso é intencional. Acredito que isso é feito para fazer parte da experiência de sentir-se acabado que o diretor tenta passar ao público atravéz do sofrimento dos personagens.

O filme pode ser descrito como uma viagem bizarra pela cabeça de um dos melhores cineastas de hoje em dia. Porém essa é uma viagem que tem que ser feita com conciência, como ja disse, esse é um filme muito pesado e tenso, então é preciso ir ao cinema com a intenção de assistir um filme artístico.
É incrível a ousadia do diretor de fazer um filme extremamente diferente dos padrões hollywoodianos, com todas as "fórmulas do sucesso" hoje em dia, é díficil ver um filme tão vanguardista e sem pudor desse jeito.

Na minha opinião esse filme é uma experiência que tem que ser aproveitada antes de tentar entende-la.
Um filme chocante que lembrarei para o resto da minha vida.

8,5/10



segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Tempos De Paz




Hoje tive a sorte de conseguir ir na pré-estréia do novo filme do Tony Ramos e do Dan Stulbach (a.k.a. Tom Hanks brasileiro).

Para começar já foi uma surpresa que logo antes de começar a sessão os próprios Tony Ramos e Dan Stulbach entraram na sala para apresentarem o filme e desejarem uma boa sessão para todos que estavam la.

O filme conta a história de um imigrante polonês que chega ao Brasil logo depois que a Segunda Guerra Mundial acaba la na Europa, porém o Brasil ainda não saiu do status de guerra, então a entrada no país é muito controlada. Isso faz com que o personagem de Stulbach se encontre com o de Tony Ramos, que faz o agente alfandegário que está investigando a situação deste polonês para decidir se ele entra ou não no país.

O filme foi adaptado de uma peça de teatro e isso fica bem evidente no filme, já que grande parte do longa se passa em apenas uma locação, onde os protagonistas ficam conversando.
O que me impressionou muito no filme foi a química que Tony Ramos e o Dan Stulbach tem na tela, os dois criaram personagens cativantes e bem desenvolvidos que, devido às ótimas atuações, fazem você se importar com essas pessoas. Não posso deixar de enfatizar as atuações incríveis dos dois protagonistas, Dan Stulbach está incrívelmente bem nesse papel, que relembra um pouco o papel do Tom Hanks no O Terminal, mas impressiona nas cenas mais dramáticas de um jeito que é quase inacreditável.

Um ótimo filme para quem está procurando boas atuações, boa história e claro...um bom filme.