segunda-feira, 10 de maio de 2010

Homem de Ferro 2

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   Parece que foi ontem que o primeiro Homem de Ferro chegou aos cinemas, mas no fim de semana passado já estava chegando aos cinemas a seqüência do filme que pegou todos de surpresa dois anos atrás.

   Homem de Ferro 2 começa imediatamente onde o primeiro parou, com Tony Stark no palanque dizendo a todos que ele é o Homem de Ferro, à partir daí somos apresentados ao novo vilão, Ivan Vanko ( Mickey Rourke, de “O Lutador”, em ótima atuação). Logo depois somos levados a 6 meses no futuro onde encontramos Tony Stark aproveitando o status que ser o Homem de Ferro trouxe para ele e, mais do que nunca, vemos Stark afogado em seu gigantesco ego. Agora, Stark sofre com a pressão dos militares para entregar a sua tecnologia, já que esses querem explorar as possibilidades criadas por ela. Stark, ainda tem de lidar com o seu concorrente Justin Hammer (Sam Rockwell) , que também quer, a qualquer custo, a sua tecnologia.

   Robert Downey Jr. É um ator magnífico. Basicamente, se não fosse por ele, Homem de Ferro não teria se tornado o que se tornou e, nessa continuação, ele continua mantendo o ótimo trabalho do primeiro, ou até melhorando, já que nesse novo filme temos muito mais momentos onde Downey representa o mimado, excêntrico e narcisista Stark. Grande parte do elenco não fica atrás também, como, por exemplo Mickey Rourke que está ótimo como o vilão Chicote Negro, Don Cheadle, que substitui à altura o ator Terrence Howard, como o melhor amigo de Stark, o coronel “Rhodey” Rhodes, além do próprio diretor, Jon Favreau, que atua no filme como o guarda-costas/motorista do Tony Stark e proporciona boas risadas quando está emc ena.

   Poucos sabem, mas o diretor Jon Favreau é um famoso ator de comédia, você pode não conhecê-lo por nome, mas, com certeza, já assistiu algum filme com ele. É por esse fato que uma das maiores surpresas do primeiro filme, e no segundo também, são que as cenas de ação são tão bem filmadas e divertem, bem diferente do que Michael Bay faz com seus filmes “Transformers” onde a “diversão” que ele tenta fazer, sufoca. É de Favreau, também, o crédito pelo lado bem humorado da franquia do ferroso, já que ele veio desse mundo cômico, então possui o “feeling” para fazer comédia.

   Mais uma vez, o roteiro foca mais nos personagens e torna a ação mais como uma conseqüência, do que um motivo para o filme e isso recompensa bastante, já que Tony Stark é um dos personagens mais “despresíveis”, se fossemos analisar a personalidade dele, mas mesmo assim, saímos do cinema amando o cara. Nesse filme vemos, também, um foco maior na relação de Stark com Rhodey, onde esse aparece mais como nos quadrinhos, como um amigo que não tem medo de se impor e não apenas um mero coadjuvante.

   É de praxe, com o lançamento de qualquer grande seqüência, os debates sobre se o segundo foi melhor do que o primeiro. Apesar de ser um assunto subjetivo, em alguns casos é indiscutível de que a seqüência foi melhor do que o primeiro. Infelizmente, Homem de Ferro 2, não é um caso unânime de superioridade em relação ao primeiro. Apesar de ser quase tão eficiente quanto o primeiro, o filme não tem o charme da surpresa que o primeiro filme teve. Não me leve a mal, se tivesse feito uma crítica para o primeiro Homem de Ferro, minha nota final do filme seria no máximo meio ponto a mais do que a nota da seqüência.

 

Homem de Ferro 2: 9 / 10

Homem de Ferro: 9.5 / 10

Obs: só para ter uma base de como achei em relação ao 1º filme, está aqui a nota para o Homem de Ferro também

segunda-feira, 29 de março de 2010

O Livro de Eli



   De vez em quando, no meio dessa mesmice que são os filmes de ação hoje em dia, surge uma pérola, um filme especial que quebra os moldes que estão sendo exaustivamente desgastados. Filmes que são empolgantes, emocionantes e, acima de tudo, são originais. O Livro de Eli, um filme dos Irmãos Hughes (diretores de Do Inferno), é um desses filmes.

   O filme conta a história de Eli ( Denzel Washington ), um andarilho que, em um ondo pós-apocalíptico, é o suposto detentor da última Bíblia existente, já que durante a guerra que devastou o mundo, todos os exemplares foram queimados (seria a Guerra Santa?). Eli caminha em direção ao oeste, como lhe instriu uma voz muitos anos atrás. Durante a sua jornada, ele irá cruzar o caminho de Carnegie ( Gary Oldman, mais uma vez ótimo como vilão ), uma espécie de xerife de um pequeno vilarejo de sobreviventes, que busca incansavelmente por uma Bíblia, pois deseja usar as Palavras de Deus para expandir o seu poder e o seu domínio sobre as poucas pessoas que sobraram vivas.

   Como uma suposta guerra nuclear aconteceu, o mundo virou uma espécie de deserto gigante e isso é muito bem retratado com a ótima escolha da pelate de cores uitlizada, que torna as imagens mais “pálidas”, aumentando a sensação de desolação.  

   Os diretores fazem ótimas escolhas ao longo do filme, além da estilização das cores, eles decidem não fazer cortes rápidos durante as cenas de lutas, coisa que vai na contramão da tendência atual e faz bem ao filme, pois ressalta o ótimo trabalho de coreografia das lutas, que são dignas dos clássicos “filmes de espadas” chineses e japoneses, com destaque para uma cena de luta, envolvendo 7 ou 8 pessoas, filmada em plano-sequência ( uma tomada única, sem cortes ).

   Outra boa escolha é não abusar do didatismo, ou seja, o filme deixa algumas questões em aberto, ou apenas nos indica através de imagens, sem utilizar de diálogos desnecessários para “levar o espectador pela mão”, por exemplo, em nenhum momento o filme nos fala que foi uma guerra nuclear, porém na cena inicial vemos Eli, dentro de uma roupa de contenção, caçando um gato. Cada um pode interpretar como quer, mas pelo menos incita o espectador a pensar um pouco sobre o que está assistindo.

   Apesar da história ter um cunho religioso, os ateus e agnósticos mais fervorosos podem ver o filme como uma palestra sobre cristianismo (obs: sou agnóstico e não me importei), o filme levanta boas questões sobre o que é justificável e o que é condenável quando todas as formas de regulamentos sociais foram jogados pela janela quando o mundo foi destruído, além de ressaltar a importância dos livros, coisa que hoje em dia está meio que sendo passada para trás, com os avanços tecnológicos e a infantilização da sociedade.

   A direção extremamente competente, aliada a ótimas cenas de ação e uma história original, que não pesa no didatismo e faz o espectador botar a cabeça para pensar um pouco fazem de  O Livro de Eli um ótimo filme de ação e, além disso, uma ótima diversão.


8.5 / 10



sexta-feira, 19 de março de 2010

The Cove

   

  
   The Cove (A Angra, em tradução literal) é um filme extremamente forte. Apresentando uma situação que muitas pessoas nunca tinham ouvido falar de, o documentário vencedor do Oscar impressiona, choca e emociona o espectador.

   O filme documenta a história de Rick O’Barry, ativista que começou a sua carreira como o treinador dos golfinhos utilizados no programa de televisão Flipper. Após a morte do golfinho, devido à uma depressão causada pela vida em cativeiro, o treinador decidiu desmascarar os abusos feitos aos cetáceos que vivem em cativeiro e, também, parte em uma missão para  derrubar as indústrias que massacram milhares desses animais por ano.

   The Cove foca no que acontece em Taiji, uma pequena cidade no Japão, onde a indústria pesqueira de golfinhos pratica atrocidades e, aproveita a alienação da população, para ganhar muito dinheiro de modo anti-ético. O filme levanta informações sobre o mercado de pesca no mundo e para onde estamos indo com esse consumo desenfreado, além de mostrar, também, os riscos do consumo de carnes contaminadas com níveis alarmantes de mercúrio, outro fato que foge do conehcimento da população.

   Com tom de thriller de espionagem, o diretor do filme monta uma equipe com a ajuda de Rick, para tentar documentar o que acontece na angra do título. Com operações dignas de dar orgulho aos oficiais de operações especiais de qualquer exército, o grupo tem que lidar com agentes das companhias pesqueiras que ficam, constatemente provocando os envolvidos no projeto, tentando criar motivo para jogá-los na cadeia.

   Essa montagem do filme, como um thriller de espionagem, funciona muito bem, principalmente nas sequências onde o grupo está tentando plantar as ferramentas para o monitoramento da angra, onde a tensão chega a ser sufocante, pois faz o espectador imaginar o que os pescadores poderiam fazer se capturassem os  “espiões”, já que fazem o impensável com os animais.

   As imagens, extremamente gráficas, causam repulsa e tristeza, porém trazem à luz um abuso que é despercebido pelo mundo e liberado legalmente, já que as regulações internacionais só dizem respeito às baleias, que sofriam o mesmo abuso algumas décadas atrás.

   Não é à toa que o documentário ganhou o Oscar esse ano. O filme é muito bem montado e o tema é muito pertinente. Apesar da tristeza que dá ao assistir as cenas mais pesadas do filme, é uma situação que todo mundo devia ter consciência. Isso é jornalismo investigativo em sua melhor forma.

OBS: Quem quiser assistir ao filme, nesse site está disponível para quem quiser ver. O site funciona com streaming (mesmo esquema do YouTube) então não precisa baixar nada.


9.5 / 10

quarta-feira, 17 de março de 2010

Ilha Do Medo




   “Ilha do Medo” marca a volta de Martin Scorsese ao gênero do suspense, o último filme do diretor  nesse estilo havia sido “Cabo Do Medo” em 1991. O filme mostra, também, que Scorsese não se aquietou depois de, finalmente, ganhar um Oscar, já que esse é um dos projetos mais corajosos da carreira do diretor.

    O filme, adaptado do ótimo livro de Dennis Lehane (autor de Sobre Meninos e Lobos), conta a história do agente federal Teddy Daniels (Leonardo DiCaprio, em uma ótima atuação) e de seu parceiro Chuck Aule (Mark Ruffalo, também em atuação surpreendente), que são chamados à Shutter Island, um hospício/prisão situado em uma ilha na costa de Boston, para investigar o sumiço de uma paciente. Logo que chegam no local, os agentes percebem que há algo mais ocorrendo por ali, já que são recebidos com frieza e desconfiança por todos os funcionários do lugar.

   A direção de Scorsese é impecável como sempre e da um tom meio noir à investigação. O maior destaque vai para as sequências de sonho do protagonista, onde o diretor utiliza uma paleta de cores mais claras, que dá uma idéia de uma vívida lembrança e faz contraste com os tons acizentados utilizados pelo diretor na ilha. Nessas sequências, Scorsese abusa de câmera lenta e objetos voando na tela para criar uma sensação de leveza e tornar a imagem um tanto quanto etérea.

   Outro destaque do filme é a atuação de Leonardo DiCaprio, que faz o atormentado agente federal Teddy Daniels. Assim como a personagem de Jack Nicholson em “O Iluminado”, que se via trancafiado em uma edificação remota e, tinha que encarar fantasmas do seu passado, Teddy Daniels também tem sua cota de bagagem que leva consigo para a ilha e, ao longo da investigação, terá de lidar com essas fantasmas do passado.

   O elenco de apoio do filme também não faz feio, com Ben Kingsley como o doutor chefe da instituição, que só alimenta a chama da desconfiança do protagonista já que apresenta sempre uma visão razoável e analítica, como se tudo e todos fossem seus pacientes, e Max Von Sydow, que aparece em pequeno papel, mas não faz feio quanto está em cena, como um médico da instituição, além outros atores, não tão conhecidos pelo grande público, que fazem pequenas, mas memoráveis aparições.

   Como todas adaptações de livros pra a o cinema, Ilha Do Medo tem que modificar um pouco a trama para poder funcionar como filme, porém esse é um dos raros casos onde o roteiro faz um excelente trabalho em adaptar o livro. As únicas informações que foram retiradas do livro para o filme não fazem falta alguma à história e dão uma fluidez melhor a situação apresentada.

   Com cenas muito gráficas e um tema pesado, não é à toa que as críticas para Ilha do Medo estão saíndo tão polarizadas. O filme é um projeto muito corajoso de Martin Scorsese que mostra que o diretor não perdeu vigor depois de ganhar uma estatueta da academia.

   São filmes como esse que fazem as pessoas, pelo menos as que realmente gostam de cinema, desejar que os filmes de terror e suspense fossem todos dirigidos por diretores de alto escalão.


8.75 / 10

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

9 -- A Salvação

   


   Existem muitos casos de uma idéia genial que não atinge o seu verdadeiro potencial devido à uma pobre execução, o filme “9 – A salvação”, infelizmente, é mais um desses casos.

   O filme é um longa metragem de animação computadorizada criada pelo iniciante Shane Acker. O filme é produzido por ninguém mais do que Tim Burton (Edward Mãos de Tesoura, A Fantástica Fábrica de Chocolates)  e, para os que conhecem, também é produzido pelo russo Timur Bekmambetov (O Procurado), outro diretor que tem um estilo próprio bem característico.

   Apesar do conceito do filme ter sido criado pelo próprio diretor (Acker), o filme pode muito bem ser vendido como uma criação de Burton e, com certeza, as pessoas mais desavidadas nem saberiam dizer que não é, devido ao tom sombrio e a aparência “gótica” do filme, características que já se tornaram marcas registradas de Tim Burton.

   “9” conta a história de um mundo pós-apocalíptico onde os humanos foram dizimados após uma guerra contra as máquinas, que agora dominam o mundo, e os únicos sobreviventes são 9 bonecos de pano criados por um cientista antes de sua morte. Agora esses bonecos precisam lutar para acabar com essa ameaça que são as máquinas.

   O ponto forte do filme são os visuais, onde Acker idealizou um incrível mundo desolado pela guerra contra as máquinas que, por algumas dicas visuais, parece ter acontecido durante o período da guerra fria, o que da um ar daqueles filmes “trash” de ficção científica. Como os bonecos são pequenos, o diretor sempre coloca em cena objetos cotidianos para criar um senso de escala e ficar claro como os pequenos bonecos são, quase, indefesos contra as máquinas.

   O filme peca um pouco em seu roteiro, que parece um pouco “corrido” em momentos e dá a impressão de que o fio de narrativa só está lá para ligar uma cena de ação à outra, deixando muito a desejar no que poderia ser uma narrativa interessante, como foi a do curta-metragem “9”, que foi o trabalho de conclusão de curso do diretor na sua faculdade e que, mais tarde, impressionou os grandes nomes, que produziram o filme, e fizeram com que esses diretores renomados dessem o sinal verde para Acker transformar o seu pequeno trabalho em um longa.

   Apesar dos brilhantes 15 primeiros minutos onde não existe nenhum diálogo, “9 – A salvação” é um filme divertido que não alça o voo que poderia, já que nunca atinge o seu potencial. Com boas cenas de ação e um desfecho interessante o filme não passa de uma boa diversão.


6.5 / 10


OBS: "9 -- A Salvação" já está nas locadoras.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Vício Frenético

   


    Vício Frenético é o novo filme do cultuado diretor alemão Werner Herzog, diretor que é famoso por retratar homens obsessivos, em situações nas quais o ambiente acaba moldando o seu comportamento, para o bom ou para o pior, nesse caso o ambiente é a New Orleans pós-Katrina e a obsessão, o vício do tenente por drogas.

    O filme conta a história do tenente Terence McDonagh( interpretado por Nicolas Cage em uma ótima atuação), um policial que foi promovido ao posto de tenente após salvar um prisioneiro que iria morrer afogado durante o furacão Katrina, só que ao pular na água para salvar o tal prisioneiro, ele sofre um acidente que o deixará com dores nas costas para o resto de sua vida, o que fará com que o tenente desenvolva um vício por analgésicos e, depois, por todo e qualquer tipo de droga (segundo ele só toma o que é prescrito, exceto pela heroína). Durante o filme acompanhamos o tenente enquanto esse investiga um assassinato de uma família de imigrantes ilegais senegaleses, e ao mesmo tempo viajamos com o protagonista até o fundo do poço.

    Ao retratar esse espiral descendente do tenente, o diretor dá ao filme um tom quase cômico à desgraça da personagem, isso tudo pois em nenhum momento acreditamos que o problema enfrentado pelo tenente é gratuito, entendemos a situação que ele enfrenta e até simpatizamos com a personagem, pois como vemos no filme, ele não é uma má pessoa. Debaixo do oficial de policia viciado em drogas, está um ser humano que se preocupa com o seu pai alcoólatra e com a sua namorada prostituta. Esse desiquilibrio mental e emocional é extremamente bem retratado na, ótima, atuação de Nicolas Cage, mostrando que, apesar dos últimos filmes que vinha fazendo, ele ainda sabe atuar. O elenco ainda conta com outras celebridades que fazem papéis um pouco menores, como Val Kilmer como um companheiro policial de McDonagh e a presença de Eva Mendes, como a prostituta namorada do protagonista.

    Werner Herzog é um cara que sabe o que faz. O alemão abusa da câmera na mão e de sequências longas sem cortes para dar uma fluidez melhor à fita e, também, trazer à tona as habilidades dos atores, pois com menos cortes, os atores tem que trabalhar melhor durante cenas mais longas. Outro destaque para a direção são os enquadramentos utilizados pelo diretor, tanto nas cenas em que retrata o pico da viagem do tenente ao utilizar as suas drogas, onde ele utiliza de closes em iguanas e outras coisas para causar estranheza, quanto ao longo da fita, onde os enquadramentos nunca perdem a personagem principal de vista, nem que essa apareça no reflexo de um espelho no canto da tela.

    Apesar de o meio do filme perder um pouco de ritmo, Herzog se redime com um final que tem que ser visto como irônico aos padrões hollywoodianos, e se assim interpretado, o desefecho se torna ratificante. O final pode deixar alguns um pouco frustrados, mas se analisado com um pouco de profundidade, pode-se encontrar traços de genialidade do roteiro.

    Somente a ótima atuação de Cage ja valeria o ingresso para ver o filme, mas a espetacular direção de Herzog também vale destaque. No fundo, Vício Frenético não deixa de ser um filme de genêro policial; Mas faz um ótimo trabalho sendo um.


8 / 10

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

My Dinosaur Life


    


    Mark Hoppus e o Motion City Soundtrack dão uma de Coppola e mostram que, assim como O Pderoso Chefão pt. II foi melhor que o primeiro filme de trilogia, uma sequência pode ser melhor que o original.

     Um pouco menos de 3 anos após o lançamento de seu último álbum, Even If It Kills Me, o Motion City Soundtrack volta com o seu novo trabalho e o 1º lançamento em uma major label dos EUA, a Columbia. Esse novo trabalho, entitulado My Dinosaur Life, é o 2º disco da banda a ser produzido por Mark Hoppus, o baixista do blink-182.

    Quase sempre categorizada como uma banda de pop punk, o MCS em cada trabalho ficava tendendo para um lado do espectro mais do que do outro, por exemplo, o 1º disco I am The Movie tinha uma pegada bem punkzinha e o último trabalho deles, Even If It Kills Me era bem mais pop açucarado. Apesar de ser um lançamento de uma major, o Motion City Soundtrack levou o seu som de volta ao lado punk do espectro com esse novo trabalho, o que surpreendeu muita gente, pois todos imaginávamos que devido à influência da gravadora, a banda seguiria a linha do último trabalho, fazendo um som mais pop direcionado às massas.

     A cada trabalho da banda era visivel o progresso na qualidade das letras do MCS, não que elas ja foram ruins algum dia, mas é que ultimamente o vocalista e letrista Justin Pierre vinha aperfeiçoando a sua caneta e apresentando letras sensacionais, cheias de menções à cultura pop-nerd e muito inteligentes. Nesse trabalho o cara continua progredindo escrevendo letras incríveis, destaque para o refrão da música “Pulp Fiction” que é o perfeito exemplo das tiradas inteligentes do Justin:

Black and white and cheaply put together like a slasher film
Torn in opposite directions
The plot sucks but the killings are gorgeous
God damn, these killings are gorgeous
 

     Em relação ao instrumental da banda, podemos dizer que é uma progressão em relação ao último trabalho, já que como a banda voltou para a pegada mais punk estão presentes guitarras com mais peso e as músicas são mais velozes. Apesar do baterista ter tido problemas logo antes da gravação do disco, ele quebrou o braço e ficou um tempo parado, ele se saiu muito bem no álbum e continua mostrando suas habilidades em levadas criativas para as músicas.

     O álbum tem várias músicas que irão se tornar clássicas do MCS, o 1º single “Dissapear” que mostrou a volta da banda à pegada agressiva, a divertida ”@!#?@!” com sua ótima referência ao Ocarina Of Time e tema absurdo, além da já citada “Pulp Fiction” que apresenta uma das melhores letras que o vocalista ja escreveu. Vale ainda citar outros destaques do disco, como: “Stand Too Close”, “Skin and Bones” e a última faixa do disco “The Weakends”, que resume o trabalho apresentado, mesclando agressividade com melodias suaves e mais um exemplo de ótimas letras.

     Das 12 faixas do cd só teve uma que não me chamou a atenção e eu até costumo pular ela quando ouvindo o cd (“History Lesson”), porém essa música é a única coisa que consigo pensar que não me agradou no álbum.

      My Dinosaur Life é o que uma sequência deve ser, uma expansão das características que deram certo na 1ª vez e nesse quesito o Motion City fez um ótimo trabalho, achando um meio termo entre o som do Even If It Kills Me e o som da era Commit This To Memory/I Am The Movie. Com letras memoráveis e músicas  clássicas no estilo MCS, esse trabalho, com certeza está entre os melhores da banda.

9.5 / 10